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Linguagens · Português

Questões de Variação linguística no ENEM

77 questões oficiais do ENEM sobre Variação linguística, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 31 fáceis, 46 médias.

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5 questões de Variação linguística resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 20média

A característica fundamental no aprendizado das práticas rituais nos candomblés é o processo iniciático e participante. Durante o período de reclusão em terreiros ou rocas, o iniciado passa por uma série de ritos esotéricos (banhos rituais, raspagem da cabeça etc.), ao mesmo tempo em que começa a adquirir um complexo código de símbolos materiais (substâncias, folhas, frutos, raízes etc.) e de gestos associados a um repertório linguístico específico das cerimônias que se desenrolam nos contextos sagrados em geral e em cada terreiro em particular.

Esse repertório linguístico, genericamente chamado de “língua de santo” na Bahia, compreende uma terminologia religiosa operacional, de caráter mágico-semântico e de aparente forma portuguesa, mas que repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata, vindo a constituir uma língua ritual, que se acredita pertencer à nação do vodum, do orixá ou do inquice, e não a determinada nação africana política atual.

Disponível em: https://periodicos.ufba.br. Acesso em: 21 jan. 2024 (adaptado).

A “língua de santo” tem sua importância para o patrimônio linguístico brasileiro por

  1. A

    apresentar uma carga semântica mítica.

  2. B

    conservar elementos dos falares dos escravizados.

  3. C

    resgatar expressões portuguesas do período colonial.

  4. D

    decodificar o ritual religioso dos nossos antepassados.

  5. E

    favorecer a compreensão do léxico africano contemporâneo.

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Gabarito: B

O texto explica que a "língua de santo" tem forma portuguesa, mas se baseia no léxico de línguas africanas faladas no Brasil escravocrata. Portanto, conserva elementos dos falares dos escravizados, o que a torna patrimônio linguístico. Alternativa B.

  • A: o caráter mágico-semântico é descrito, mas não é a razão da importância.
  • C: ela não resgata portugueses, só tem forma portuguesa.
  • D: não decodifica o ritual.
  • E: o léxico é de línguas faladas no passado, não contemporâneo.

Dica: em "patrimônio linguístico", pense em preservação de heranças culturais.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 6fácil

Expressões e termos utilizados no Amazonas

são retratados em livro e em camisetas

“Na linguagem, podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo”, afirmou o doutor em linguística e professor da Ufam em seu livro Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas. Portanto, o amazonense, com todas as suas “cunhantãs” e “curumins”, acaba por encontrar um lugar no mundo e formar uma unidade linguística, informalmente denominada de português “caboco”, que muito se diferencia do português “mineiro”, “gaúcho”, “carioca” e de tantos outros espalhados pelo Brasil. O livro, que conta com cerca de 1 100 expressões e termos típicos do falar amazonense, levou dez anos para ser construído. Para o autor, o principal objetivo da obra é registrar a linguagem.

Um designer amazonense também acha o amazonês “xibata”, tanto é que criou uma série de camisetas estampadas com o nome de Caboquês Ilustrado, que mistura o bom humor com as expressões típicas da região. A coleção conta com sete modelos já lançados, entre eles: Leseira Baré, Xibata no Balde e Até o Tucupi, e 43 ainda na fila de espera. Para o criador, as camisas têm como objetivo “resgatar o orgulho do povo manauara, do povo do Norte”.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).

A reportagem apresenta duas iniciativas: o livro Amazonês e as camisetas do Caboquês Ilustrado. Com temática em comum, essas iniciativas

  1. A

    recomendam produtos feitos por empreendedores da região Norte.

  2. B

    ressaltam diferenças entre o falar manauara e outros falares.

  3. C

    reverenciam o trabalho feito por pesquisadores brasileiros.

  4. D

    destacam a descontração no jeito de ser do amazonense.

  5. E

    valorizam o repertório linguístico do povo do Amazonas.

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Gabarito: E

A reportagem apresenta um livro com 1.100 expressões típicas do falar amazonense e camisetas que usam essas expressões com humor. O livro quer registrar a linguagem e as camisetas querem resgatar o orgulho do povo do Norte.

As duas iniciativas valorizam o repertório linguístico do povo do Amazonas. Alternativa E.

A fala em recomendar produtos, o que não é o foco. B cita comparações, mas elas aparecem de modo secundário. C cita pesquisadores, mas só o livro é de um professor. D destaca a descontração, que é característica só das camisetas.

Dica: procure o ponto em comum entre as duas iniciativas, e não o que é específico de cada uma.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 8média

De quem é esta língua?

Uma pequena editora brasileira, a Urutau, acaba de lançar em Lisboa uma “antologia antirracista de poetas estrangeiros em Portugal”, com o título Volta para a tua terra.

O livro denuncia as diversas formas de racismo a que os imigrantes estão sujeitos. Alguns dos poetas brasileiros antologiados queixam-se do desdém com que um grande número de portugueses acolhe o português brasileiro. É uma queixa frequente.

“Aqui em Portugal eles dizem / — eles dizem — / que nosso português é errado, que nós não falamos português”, escreve a poetisa paulista Maria Giulia Pinheiro, para concluir: “Se a sua linguagem, a lusitana, / ainda conserva a palavra da opressão / ela não é a mais bonita do mundo./ Ela é uma das mais violentas”.

AGUALUSA, J. E. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 22 nov. 2021 (adaptado).

O texto de Agualusa tematiza o preconceito em relação ao português brasileiro. Com base no trecho citado pelo autor, infere-se que esse preconceito se deve

  1. A

    à dificuldade de consolidação da literatura brasileira em outros países.

  2. B

    aos diferentes graus de instrução formal entre os falantes de língua portuguesa.

  3. C

    à existência de uma língua ideal que alguns falantes lusitanos creem ser a falada em Portugal.

  4. D

    ao intercâmbio cultural que ocorre entre os povos dos diferentes países de língua portuguesa.

  5. E

    à distância territorial entre os falantes do português que vivem em Portugal e no Brasil.

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Gabarito: C

Os poetas brasileiros se queixam de que portugueses dizem que o português do Brasil é "errado". Pelo trecho, a lusitana ainda "conserva a palavra da opressão", ou seja, os portugueses consideram a própria língua a ideal. O preconceito vem da crença em uma língua ideal, a falada em Portugal (C).

A A, B e E falam de literatura, escolaridade e distância, sem apoio. A D diz que o intercâmbio causa o preconceito, quando seria o contrário.

Dica: preconceito linguístico = achar que só uma variedade é correta.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 6média

Urgência emocional

Se tudo é para ontem, se a vida engata uma primeira e sai em disparada, se não há mais tempo para paradas estratégicas, caímos fatalmente no vício de querer que os amores sejam igualmente resolvidos num átimo de segundo. Temos pressa para ouvir “eu te amo”. Não vemos a hora de que fiquem estabelecidas as regras de convívio: somos namorados, ficantes, casados, amantes? Urgência emocional. Uma cilada. Associamos diversas palavras ao AMOR: paixão, romance, sexo, adrenalina, palpitação. Esquecemos, no entanto, da palavra que viabiliza esse sentimento: “paciência”. Amor sem paciência não vinga. Amor não pode ser mastigado e engolido com emergência, com fome desesperada. É uma refeição que pode durar uma vida.

MEDEIROS, M. Disponível em: http://porumavidasimples.blogspot.com.br. Acesso em: 20 ago. 2017 (adaptado).

Nesse texto de opinião, as marcas linguísticas revelam uma situação distensa e de pouca formalidade, o que se evidencia pelo(a)

  1. A

    impessoalização ao longo do texto, como em: “se não há mais tempo”.

  2. B

    construção de uma atmosfera de urgência, em palavras como: “pressa”.

  3. C

    repetição de uma determinada estrutura sintática, como em: “Se tudo é para ontem”.

  4. D

    ênfase no emprego da hipérbole, como em: “uma refeição que pode durar uma vida”.

  5. E

    emprego de metáforas, como em: “a vida engata uma primeira e sai em disparada”.

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Gabarito: E

O texto de Martha Medeiros tem linguagem informal, de conversa. As marcas dessa informalidade são o uso figurado de expressões como "a vida engata uma primeira e sai em disparada", que aproximam o texto do leitor com linguagem do cotidiano.

A metáfora é a marca que o gabarito aponta: E.

A A (impessoalização) deixaria o texto mais formal. A B e a C citam recursos, mas não de informalidade. A D (hipérbole) é recurso expressivo, porém o exemplo dado não mostra a distensão de linguagem.

Dica: linguagem figurada e de uso comum aproxima o texto do leitor.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 7média

Imagem da questão

Disponível em: www.globofilmes.globo.com. Acesso em: 13 dez. 2017 (adaptado).

A frase, título do filme, reproduz uma variedade linguística recorrente na fala de muitos brasileiros. Essa estrutura caracteriza-se pelo(a)

  1. A

    uso de uma marcação temporal.

  2. B

    imprecisão do referente de pessoa.

  3. C

    organização interrogativa da frase.

  4. D

    utilização de um verbo de ação.

  5. E

    apagamento de uma preposição.

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Gabarito: E

O título 'Que horas ela volta?' omite a preposição: na norma-padrão seria 'A que horas ela volta?'. Na fala cotidiana, a preposição 'a' some.

Alternativa E.

A está errada: a marcação temporal ('horas') está presente, mas não caracteriza a variação. B, C e D não descrevem o fenômeno.

Dica: apagamento de preposição é comum na fala informal ('Que horas...', 'Vou na escola').

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