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Questões de Português do ENEM

358 questões oficiais de Português do ENEM, de 2009 a 2025, organizadas por assunto e todas com resolução comentada.

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Assuntos de Português

Exemplos de questões de Português

Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 6fácil

Imagem da questão

De próprio punho

A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda

que vai do simples bilhete aos originais de um livro

Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia

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que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem

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burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade,

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o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais

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fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra,

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hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca,

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mais rotunda e mais cheia de arestas.

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É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita,

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manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso

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não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que

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eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de

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tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou

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sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever

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neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais

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ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias

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possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje,

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são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou

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três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times

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New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus

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e o mundo.

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A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca

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deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até

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hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços

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e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está

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em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na

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cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus

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coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its

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na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico

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comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso.

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No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais

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lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai

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minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados

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precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam

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como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por

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outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais

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ainda as adultas) precisa conviver.

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As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco

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complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas

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ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando,

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mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de

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certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta

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muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação

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por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados,

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e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma

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frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”.

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RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).

No que diz respeito ao gênero bilhete, a autora dessa crônica

010175AZ7

  1. A

    ressalta a formalidade na comunicação com as pessoas de sua convivência.

  2. B

    critica a ansiedade causada pela velocidade da comunicação.

  3. C

    expressa a obrigatoriedade de concisão nas anotações.

  4. D

    questiona a prática da escrita de próprio punho.

  5. E

    apresenta a diversidade de usos no cotidiano.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

A autora mostra vários usos do bilhete no dia a dia:

  • na porta da geladeira, para se comunicar com quem mora com ela;
  • em post-its no escritório, para lembrar a si mesma de tarefas;
  • escritos a lápis ou a caneta, em papéis de várias cores, todos destinados à lixeira depois de cumpridos.

Ela está apresentando a diversidade de usos do bilhete no cotidiano.

Resposta: E.

Por que as outras não servem: a autora não fala de formalidade (A); ela até menciona a ansiedade das tarefas, mas não critica a velocidade da comunicação (B); não diz que a concisão é obrigatória (C); e não questiona a escrita à mão, ela gosta e ainda usa (D).

Dica: em questões sobre o que o autor faz com um tema, volte ao trecho em que o tema aparece e veja o verbo que melhor resume aquele parágrafo.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 6fácil

Expressões e termos utilizados no Amazonas

são retratados em livro e em camisetas

“Na linguagem, podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo”, afirmou o doutor em linguística e professor da Ufam em seu livro Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas. Portanto, o amazonense, com todas as suas “cunhantãs” e “curumins”, acaba por encontrar um lugar no mundo e formar uma unidade linguística, informalmente denominada de português “caboco”, que muito se diferencia do português “mineiro”, “gaúcho”, “carioca” e de tantos outros espalhados pelo Brasil. O livro, que conta com cerca de 1 100 expressões e termos típicos do falar amazonense, levou dez anos para ser construído. Para o autor, o principal objetivo da obra é registrar a linguagem.

Um designer amazonense também acha o amazonês “xibata”, tanto é que criou uma série de camisetas estampadas com o nome de Caboquês Ilustrado, que mistura o bom humor com as expressões típicas da região. A coleção conta com sete modelos já lançados, entre eles: Leseira Baré, Xibata no Balde e Até o Tucupi, e 43 ainda na fila de espera. Para o criador, as camisas têm como objetivo “resgatar o orgulho do povo manauara, do povo do Norte”.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).

A reportagem apresenta duas iniciativas: o livro Amazonês e as camisetas do Caboquês Ilustrado. Com temática em comum, essas iniciativas

  1. A

    recomendam produtos feitos por empreendedores da região Norte.

  2. B

    ressaltam diferenças entre o falar manauara e outros falares.

  3. C

    reverenciam o trabalho feito por pesquisadores brasileiros.

  4. D

    destacam a descontração no jeito de ser do amazonense.

  5. E

    valorizam o repertório linguístico do povo do Amazonas.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

A reportagem apresenta um livro com 1.100 expressões típicas do falar amazonense e camisetas que usam essas expressões com humor. O livro quer registrar a linguagem e as camisetas querem resgatar o orgulho do povo do Norte.

As duas iniciativas valorizam o repertório linguístico do povo do Amazonas. Alternativa E.

A fala em recomendar produtos, o que não é o foco. B cita comparações, mas elas aparecem de modo secundário. C cita pesquisadores, mas só o livro é de um professor. D destaca a descontração, que é característica só das camisetas.

Dica: procure o ponto em comum entre as duas iniciativas, e não o que é específico de cada uma.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 6fácil

A sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou uma mudança histórica e inédita no lema olímpico, criado em 1894 pelo Barão Pierre de Coubertin para expressar os valores e a excelência do esporte. Mais de 120 anos depois, o lema tem sua primeira alteração para ressaltar a solidariedade e incluir a palavra “juntos”: mais rápido, mais alto, mais forte — juntos. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos membros do COI e celebrada pelo presidente da entidade.

Disponível em: https://ge.globo.com. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).

De acordo com o texto, a alteração do lema olímpico teve como objetivo a

  1. A

    unificação do lema anterior ao atual.

  2. B

    aproximação entre o lema olímpico e o COI.

  3. C

    junção do lema olímpico com os princípios esportivos.

  4. D

    associação entre o lema olímpico e a cooperatividade.

  5. E

    vinculação entre o lema olímpico e os eventos atléticos.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: D

O texto diz que o lema olímpico foi alterado para "mais rápido, mais alto, mais forte – juntos", para ressaltar a solidariedade. Portanto, o objetivo foi associar o lema à cooperatividade (D).

As demais alternativas falam de unificação, aproximação ao COI, junção com princípios e eventos, ideias que não aparecem.

Dica: leia o trecho central: a palavra "juntos" indica solidariedade.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 6média

Urgência emocional

Se tudo é para ontem, se a vida engata uma primeira e sai em disparada, se não há mais tempo para paradas estratégicas, caímos fatalmente no vício de querer que os amores sejam igualmente resolvidos num átimo de segundo. Temos pressa para ouvir “eu te amo”. Não vemos a hora de que fiquem estabelecidas as regras de convívio: somos namorados, ficantes, casados, amantes? Urgência emocional. Uma cilada. Associamos diversas palavras ao AMOR: paixão, romance, sexo, adrenalina, palpitação. Esquecemos, no entanto, da palavra que viabiliza esse sentimento: “paciência”. Amor sem paciência não vinga. Amor não pode ser mastigado e engolido com emergência, com fome desesperada. É uma refeição que pode durar uma vida.

MEDEIROS, M. Disponível em: http://porumavidasimples.blogspot.com.br. Acesso em: 20 ago. 2017 (adaptado).

Nesse texto de opinião, as marcas linguísticas revelam uma situação distensa e de pouca formalidade, o que se evidencia pelo(a)

  1. A

    impessoalização ao longo do texto, como em: “se não há mais tempo”.

  2. B

    construção de uma atmosfera de urgência, em palavras como: “pressa”.

  3. C

    repetição de uma determinada estrutura sintática, como em: “Se tudo é para ontem”.

  4. D

    ênfase no emprego da hipérbole, como em: “uma refeição que pode durar uma vida”.

  5. E

    emprego de metáforas, como em: “a vida engata uma primeira e sai em disparada”.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

O texto de Martha Medeiros tem linguagem informal, de conversa. As marcas dessa informalidade são o uso figurado de expressões como "a vida engata uma primeira e sai em disparada", que aproximam o texto do leitor com linguagem do cotidiano.

A metáfora é a marca que o gabarito aponta: E.

A A (impessoalização) deixaria o texto mais formal. A B e a C citam recursos, mas não de informalidade. A D (hipérbole) é recurso expressivo, porém o exemplo dado não mostra a distensão de linguagem.

Dica: linguagem figurada e de uso comum aproxima o texto do leitor.