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Questões de Argumentação e intertextualidade no ENEM

46 questões oficiais do ENEM sobre Argumentação e intertextualidade, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 9 fáceis, 35 médias, 2 difíceis.

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5 questões de Argumentação e intertextualidade resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 35média

Margot Robbie foi criticada por “não ser bonita o suficiente” para interpretar a Barbie. Recentemente, Paolla Oliveira foi chamada de gorda. Só fico pensando o que serei eu com mais de 50 (também no peso), com a minha aparência comum. O corpo da mulher vive um reality show permanente: é sempre vigiado e fiscalizado, como se fosse domínio público. A mulher que não atender aos estereótipos está sujeita a sofrer penalidades básicas, como distúrbios, obsessões, medo do próprio corpo e, é claro, dietas à base de rúcula. “A dieta é o sedativo político mais potente na história das mulheres”, escreveu Naomi Wolf, em 1991. A regra é não haver singularidade, mascarar a passagem do tempo, imobilizar a beleza (já imaginou como isso seria enfadonho?). O mandamento é obedecer às regras sociais do bom comportamento corporal, “como deve ser”, não nos atos, mas na forma.

KORICH, B. S. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 22 jan. 2024 (adaptado).

Nesse texto, para introduzir a ideia de que a fiscalização permanente sobre o corpo afeta todas as mulheres, a autora

  1. A

    faz um comentário sobre sua própria imagem.

  2. B

    destaca avaliações particulares entre parênteses.

  3. C

    cita um formato de programa influente no segmento da beleza.

  4. D

    utiliza declaração de uma jornalista como argumento de autoridade.

  5. E

    enumera críticas à aparência de mulheres consideradas padrões de beleza.

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Gabarito: E

Leia o início do texto. A autora abre com dois exemplos: Margot Robbie, criticada por "não ser bonita o suficiente" para ser a Barbie, e Paolla Oliveira, chamada de gorda.

Os dois nomes são de mulheres famosas, vistas como padrão de beleza, e mesmo assim são alvo de críticas à aparência. Só depois a autora fala de si e conclui que o corpo da mulher é sempre vigiado.

Portanto, para introduzir a ideia de que a fiscalização atinge todas as mulheres, ela enumera críticas à aparência de mulheres consideradas padrão de beleza (E).

  • A: o comentário sobre si mesma vem depois, não introduz a ideia.
  • D: a citação de Naomi Wolf aparece no meio do texto, como reforço, não como introdução.
  • C: o "reality show" é só uma comparação, não um formato de programa citado como influente.

Dica: observe a ordem dos argumentos e o que cada trecho faz no texto (exemplificar, citar, concluir).

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 28difícil

Data venia

Conheci Bentinho e Capitu nos meus curiosos e antigos quinze anos. E os olhos de água da jovem de Matacavalos atraíram-me, seduziram-me ao primeiro contato. Aliados ao seu jeito de ser, flor e mistério. Mas tomou-me também a indignação diante do narrador e seu texto, feito de acusação e vilipêndio. Sem qualquer direito de defesa. Sem acesso ao discurso, usurpado, sutilmente, pela palavra autoritária do marido, algoz, em pele de cordeiro vitimado. Crudelíssimo e desumano: não bastasse o que faz com a mulher, chega a desejar a morte do próprio filho e a festejá-la com um jantar, sem qualquer remorso. No fundo, uma pobre consciência dilacerada, um homem dividido, que busca encontrar-se na memória, e acaba faltando-se a si mesmo. Retomei inúmeras vezes a triste história daquele amor em desencanto. Familiarizei-me, ao longo do tempo, com a crítica do texto; poucos, muito poucos, escapam das bem traçadas linhas do libelo condenatório; no mínimo concedem à ré o beneplácito da dúvida: convertem-na num enigma indecifrável, seu atributo consagrador.

Eis que, diante de mais um retorno ao romance, veio a iluminação: por que não dar voz plena àquela mulher, brasileira do século XIX, que, apesar de todas as artimanhas e do maquiavelismo do companheiro, se converte numa das mais fascinantes criaturas do gênio que foi Machado de Assis?

A empresa era temerária, mas escrever é sempre um risco. Apoiado no espaço de liberdade em que habita a Literatura, arrisquei-me.

O resultado: este livro em que, além-túmulo, como Brás Cubas, a dona dos olhos de ressaca assume, à luz do mistério da arte literária e do próprio texto do Dr. Bento Santiago, seu discurso e sua verdade.

PROENÇA FILHO, D. Capitu: memórias póstumas. Rio de Janeiro: Atrium, 1998.

Para apresentar a apropriação literária que faz da obra de Machado de Assis, o autor desse texto

  1. A

    relaciona aspectos centrais da obra original e, então, reafirma o ponto de vista adotado.

  2. B

    explica os pontos de vista de críticos da literatura e, por fim, os redimensiona na discussão.

  3. C

    introduz elementos relevantes da história e, na sequência, apresenta motivos para refutá-los.

  4. D

    justifica as razões pelas quais adotou certa abordagem e, em seguida, reconsidera tal escolha.

  5. E

    contextualiza o enredo de forma subjetiva e, na conclusão, explicita o foco narrativo a ser assumido.

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Gabarito: E

O autor conta como conheceu Capitu e Bentinho, expõe a visão crítica tradicional (a mulher acusada, sem voz) e, depois, anuncia a decisão de dar voz a Capitu. O texto começa com memória e relato subjetivo da leitura e termina dizendo que a dona dos olhos de ressaca assumirá seu discurso, ou seja, qual foco narrativo adotará.

Alternativa E.

A e B não descrevem essa sequência. C é errada porque ele não refuta o enredo, e sim o ponto de vista do narrador. D é errada porque ele não reconsidera sua escolha.

Dica: acompanhe a ordem das ideias do texto (abertura, virada, conclusão) para ver a estratégia do autor.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 11média

Maio foi colorido de amarelo, e o foi porque mundialmente amarelo é a cor convencionada para as advertências. No trânsito, essas advertências têm sido fatais. A estimativa, caso nada seja feito, é a de que se atinjam assustadoras 2,4 milhões de mortes no trânsito em 2030 em todo o mundo.

A pressa constante, o sentimento de invencibilidade, a certeza de invulnerabilidade, a necessidade de poder, a falta de civilidade, a certeza de impunidade, a ausência de solidariedade, a inexistência de compaixão e o desrespeito por si próprio são circunstâncias reais que, não raro, concorrem para o comportamento violento no trânsito.

O Maio Amarelo, que preconiza a atenção pela vida, é uma das iniciativas nesse sentido. E é precisamente a atenção pela vida que está esquecida. Essa atenção, por certo, requer menos pressa, mais civilidade, limites assegurados, consciência de vulnerabilidade, solidariedade, compaixão e respeito por si e pelo outro. Reafirmar e praticar esses princípios e valores talvez seja um caminho mais seguro e menos violento, que garanta a vida e não celebre a morte.

Disponível em: http://portaldotransito.com.br. Acesso em: 11 dez. 2018 (adaptado).

Considerando

os

procedimentos

argumentativos utilizados, infere-se que o objetivo desse texto é

  1. A

    enumerar as causas determinantes da violência no trânsito.

  2. B

    contextualizar a campanha de advertência no cenário mundial.

  3. C

    divulgar dados numéricos alarmantes sobre acidentes de trânsito.

  4. D

    sensibilizar o público para a importância de uma direção responsável.

  5. E

    restringir os problemas da violência no trânsito a aspectos emocionais.

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Gabarito: D

O texto lista causas do comportamento violento no trânsito e conclui pedindo atenção à vida, menos pressa, mais civilidade, compaixão e respeito. Todo o texto busca sensibilizar o leitor para a direção responsável (D).

A A (enumerar causas) é um recurso, não o objetivo. B e C são secundários. A E é incorreta, já que o texto não restringe a causa a aspectos emocionais.

Dica: o objetivo está na conclusão e no tom do texto, e não nos recursos usados.

Questão 4 · ENEM 2020 · Questão 38média

Relatos de viagem: nas curvas da Nacional 222,

em Portugal

Em abril deste ano, fomos a Portugal para uma viagem de um mês que esperávamos há um ano. Pois no dia 4 de maio, chegávamos ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. Que linda a “antiga, muy nobre, sempre leal e invicta” cidade do Porto! “Encantei-me”, diriam eles... pelas belas paisagens, construções históricas com lindas fachadas, parques e praças muito bem cuidados.

Os tripeiros, sinônimo de portuenses, têm orgulho de sua cidade, apelidada de Invicta — nunca foi invadida. E valorizam tudo o que há de bom ali, como “a melhor estrada para se dirigir do mundo”, a Nacional 222.

Pois na manhã do 25 de abril, dia da Revolução dos Cravos, resolvemos conhecer a tal maravilha. A cada 10 km tínhamos que encostar: corríamos, dançávamos, tomávamos chocolate quente, sopa, tudo que fosse quentinho. E lá íamos para mais uma etapa. Uma aventura deliciosa. Depois de três horas — mais ou menos o dobro do tempo necessário, não fossem as paradas para aquecimento —, chegamos a casa! Congelados, mas maravilhados e invictos!

Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).

Nesse texto, busca-se seduzir o leitor por meio da exploração de uma voz externa sobre a identidade histórica do povo português. O trecho que evidencia esse procedimento argumentativo é

  1. A

    “Que linda a ‘antiga, muy nobre, sempre leal e invicta’ cidade do Porto!”.

  2. B

    “‘Encantei-me’, diriam eles... pelas belas paisagens, construções históricas com lindas fachadas [...]”.

  3. C

    “Os tripeiros, sinônimo de portuenses, têm orgulho de sua cidade [...]”.

  4. D

    “E valorizam tudo o que há de bom ali, como ‘a melhor estrada para se dirigir do mundo’ [...]”.

  5. E

    “Pois na manhã do 25 de abril, dia da Revolução dos Cravos, resolvemos conhecer a tal maravilha”.

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Gabarito: A

A questão pede o trecho em que o autor usa uma voz externa sobre a identidade histórica dos portugueses. Isso é uma citação do que os outros dizem, marcada por aspas.

Em A, "antiga, muy nobre, sempre leal e invicta" é o título honorífico tradicional da cidade do Porto, citado entre aspas. Ele traz a voz da história e da tradição, e seduz o leitor pelo prestígio da cidade.

Em B, "Encantei-me" é a fala imaginada dos portugueses sobre o próprio encanto, mas não trata da identidade histórica. C e D falam do orgulho dos tripeiros e da estrada, sem exaltar a história. E apenas narra o passeio.

Dica: identifique aspas e discurso alheio e veja o que cada citação busca provocar no leitor.

Questão 5 · ENEM 2018 · Questão 9média

Na sociologia e na literatura, o brasileiro foi por vezes tratado como cordial e hospitaleiro, mas não é isso o que acontece nas redes sociais: a democracia racial apregoada por Gilberto Freyre passa ao largo do que acontece diariamente nas comunidades virtuais do país. Levantamento inédito realizado pelo projeto Comunica que Muda [...] mostra em números a intolerância do internauta tupiniquim. Entre abril e junho, um algoritmo vasculhou plataformas [...] atrás de mensagens e textos sobre temas sensíveis, como racismo, posicionamento político e homofobia. Foram identificadas 393 284 menções, sendo 84% delas com abordagem negativa, de exposição do preconceito e da discriminação.

Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).

Ao abordar a postura do internauta brasileiro mapeada por meio de uma pesquisa em plataformas virtuais, o texto

  1. A

    minimiza o alcance da comunicação digital.

  2. B

    refuta ideias preconcebidas sobre o brasileiro.

  3. C

    relativiza responsabilidades sobre a noção de respeito.

  4. D

    exemplifica conceitos contidos na literatura e na sociologia.

  5. E

    expõe a ineficácia dos estudos para alterar tal comportamento.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B

O texto começa dizendo que o brasileiro foi visto como cordial e hospitaleiro, mas a pesquisa mostra que 84% das menções nas redes eram negativas, com preconceito. Assim, o texto refuta a ideia preconcebida de brasileiro cordial.

Resposta: B.

  • A está errada: o texto valoriza o alcance da comunicação digital ao mostrar os números.
  • C e E não aparecem.
  • D é o contrário: ele contradiz a sociologia e a literatura, não as exemplifica.

Dica: expressões como "mas não é isso o que acontece" marcam refutação.

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