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Questões de Interpretação de texto no ENEM

77 questões oficiais do ENEM sobre Interpretação de texto, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 43 fáceis, 33 médias, 1 difícil.

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5 questões de Interpretação de texto resolvidas

Tente responder antes de abrir a resolução. No treino, você responde, vê a correção na hora e o seu progresso fica salvo.

Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 8fácil

Imagem da questão

De próprio punho

A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda

que vai do simples bilhete aos originais de um livro

Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia

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que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem

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burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade,

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o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais

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fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra,

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hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca,

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mais rotunda e mais cheia de arestas.

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É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita,

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manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso

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não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que

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eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de

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tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou

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sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever

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neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais

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ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias

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possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje,

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são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou

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três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times

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New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus

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e o mundo.

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A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca

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deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até

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hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços

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e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está

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em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na

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cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus

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coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its

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na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico

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comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso.

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No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais

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lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai

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minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados

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precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam

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como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por

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outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais

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ainda as adultas) precisa conviver.

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As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco

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complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas

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ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando,

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mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de

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certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta

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muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação

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por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados,

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e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma

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frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”.

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RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).

Nesse texto, o que caracteriza a escrita “de próprio punho” é a letra manuscrita, enquanto a escrita digital é ilustrada pelo(a)

  1. A

    utilização de tecnologias diversificadas.

  2. B

    desenvolvimento de novos recursos de escrita.

  3. C

    possibilidade de interações mediadas por telas.

  4. D

    diversidade de fontes tipográficas que estão disponíveis.

  5. E

    delimitação dos espaços onde a produção textual ocorre.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: D

Procure no texto o que aparece no lugar da letra manuscrita quando a autora escreve no computador. Ela diz:

"No lugar, aparecem Times New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de 'letras' à minha escolha."

Ou seja, na escrita digital, a "letra" dela é substituída pela variedade de fontes tipográficas disponíveis.

Resposta: D.

Por que as outras atraem: o texto fala de tecnologias e de telas, mas a pergunta faz um paralelo específico: a letra manuscrita de um lado e o que corresponde a ela na escrita digital do outro. Só as fontes ocupam esse lugar.

Dica: quando a pergunta faz um paralelo ("enquanto X é caracterizado por..., Y é ilustrado por..."), procure no texto o trecho que faz a mesma comparação.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 10fácil

Já ouvi gente falando que o podcast é o renascimento do rádio. O rádio é genial, uma mídia imorredoura, mas podcast não tem nada a ver com ele. O formato está mais próximo do ensaio literário do que de um programa de ondas curtas, médias ou longas.

Podcasts são antípodas das redes sociais. Enquanto elas são dispersivas, levam à evasão e à desinformação, os podcasts são uma possibilidade de imersão, concentração, aprendizado. Depois que eles surgiram, lavar a louça e me locomover pela cidade viraram um programaço. Um pós-almoço de domingo e aprendo tudo sobre bonobos e gorilas. Um táxi pro aeroporto e chego ao embarque PhD em reforma tributária.

PRATA, A. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 7 jan. 2024 (adaptado).

Segundo a argumentação construída nesse texto, o podcast

  1. A

    provoca dispersão da atenção em seu público.

  2. B

    funciona por meio de uma frequência de ondas curtas.

  3. C

    propicia divulgação de conhecimento para seus usuários.

  4. D

    tem um formato de interação semelhante ao das redes sociais.

  5. E

    constitui uma evolução na transmissão de informações via rádio.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: C

O autor diz que o podcast não é o renascimento do rádio e que é o oposto das redes sociais: enquanto elas dispersam e desinformam, o podcast permite imersão, concentração e aprendizado. Ele dá exemplos de aprender sobre animais e reforma tributária.

Portanto, segundo o texto, o podcast propicia divulgação de conhecimento. Alternativa C.

A e D atribuem ao podcast características das redes sociais. B e E associam o podcast ao rádio, o que o autor nega.

Dica: atenção às negações no texto; o autor diz o que o podcast não é.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 6fácil

A sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou uma mudança histórica e inédita no lema olímpico, criado em 1894 pelo Barão Pierre de Coubertin para expressar os valores e a excelência do esporte. Mais de 120 anos depois, o lema tem sua primeira alteração para ressaltar a solidariedade e incluir a palavra “juntos”: mais rápido, mais alto, mais forte — juntos. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos membros do COI e celebrada pelo presidente da entidade.

Disponível em: https://ge.globo.com. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).

De acordo com o texto, a alteração do lema olímpico teve como objetivo a

  1. A

    unificação do lema anterior ao atual.

  2. B

    aproximação entre o lema olímpico e o COI.

  3. C

    junção do lema olímpico com os princípios esportivos.

  4. D

    associação entre o lema olímpico e a cooperatividade.

  5. E

    vinculação entre o lema olímpico e os eventos atléticos.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: D

O texto diz que o lema olímpico foi alterado para "mais rápido, mais alto, mais forte – juntos", para ressaltar a solidariedade. Portanto, o objetivo foi associar o lema à cooperatividade (D).

As demais alternativas falam de unificação, aproximação ao COI, junção com princípios e eventos, ideias que não aparecem.

Dica: leia o trecho central: a palavra "juntos" indica solidariedade.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 8fácil

É ruivo? Tem olhos azuis? É homem ou mulher? Usa chapéu? Quem jogou Cara a Cara na infância sabe de cor o roteiro de perguntas para adivinhar quem é o personagem misterioso do seu oponente.

Agora, o jogo está prestes a ganhar uma nova versão. A designer polonesa Zuzia Kozerska-Girard está desenvolvendo uma variação do Guess Who? (nome do Cara a Cara em inglês), em que as personalidades do tabuleiro são, na verdade, mulheres notáveis da história e da atualidade, como a artista Frida Kahlo, a ativista Malala Yousafzai, a astronauta Valentina Tereshkova e a aviadora Amelia Earhart. O Who’s She? (“Quem é ela?”, em português) traz, no total, 28 mulheres que representam diversas profissões, nacionalidades e idades.

A ideia é que, em vez de perguntar sobre a aparência

das personagens, as questões sejam direcionadas aos

feitos delas: ganhou algum Nobel, fez alguma descoberta?

Para cada personagem há um cartão com fatos divertidos

e interessantes sobre sua vida. Uma campanha entrou no

ar com o objetivo de arrecadar dinheiro para desenvolver

o Who’s She?. A meta inicial era reunir 17 mil dólares.

Oito dias antes de a campanha acabar, o projeto já

angariou quase 350 mil dólares.

A chegada do jogo à casa do comprador varia de

acordo com a quantia doada — quanto mais você doou,

mais rápido vai poder jogar.

Disponível em: www.super.abril.com.br. Acesso em: 4 dez. 2018 (adaptado).

Ao divulgar a adaptação do jogo para questões relativas a

ações e habilidades de mulheres notáveis, o texto busca

  1. A

    contribuir para a formação cidadã dos jogadores.

  2. B

    refutar modelos estereotipados de beleza e elegância.

  3. C

    estimular a competitividade entre potenciais compradores.

  4. D

    exemplificar estratégias de arrecadação financeira pela internet.

  5. E

    desenvolver conhecimentos lúdicos específicos dos tempos atuais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

O texto conta que o jogo "Cara a Cara" ganhará versão em que os personagens são mulheres notáveis e as perguntas são sobre os feitos delas (Nobel, descobertas), e não sobre aparência. Ou seja, o jogo ensina sobre mulheres importantes.

Isso contribui para a formação cidadã dos jogadores: A.

A B diz que ele refuta padrões de beleza; o texto só muda o foco, sem discutir isso. A C, a D e a E tratam de competição, arrecadação e jogos atuais, mas são só detalhes.

Dica: veja a finalidade do jogo e não os detalhes da campanha.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 8média

Slam do Corpo é um encontro pensado para surdos e ouvintes, existente desde 2014, em São Paulo. Uma iniciativa pioneira do grupo Corposinalizante, criado em 2008. (Antes de seguirmos, vale a explicação: o termo slam vem do inglês e significa — numa nova acepção para o verbo geralmente utilizado para dizer “bater com força” — a “poesia falada nos ritmos das palavras e da cidade”). Nos saraus, o primeiro objetivo foi o de botar os poemas em Libras na roda, colocar os surdos para circular e entender esse encontro entre a poesia e a língua de sinais, compreender o encontro dessas duas línguas. Poemas de autoria própria, três minutos, um microfone. Sem figurino, nem adereços, nem acompanhamento musical. O que vale é modular a voz e o corpo, um trabalho artesanal de tornar a palavra “visível”, numa arena cujo objetivo maior é o de emocionar a plateia, tirar o público da passividade, seja pelo humor, horror, caos, doçura e outras tantas sensações.

NOVELLI, G. Poesia incorporada. Revista Continente, n. 189, set. 2016 (adaptado).

Na prática artística mencionada no texto, o corpo assume papel de destaque ao articular diferentes linguagens com o intuito de

  1. A

    imprimir ritmo e visibilidade à expressão poética.

  2. B

    redefinir o espaço de circulação da poesia urbana.

  3. C

    estimular produções autorais de usuários de Libras.

  4. D

    traduzir expressões verbais para a língua de sinais.

  5. E

    proporcionar performances estéticas de pessoas surdas.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

O texto descreve o 'Slam do Corpo', encontro entre poesia e Libras, em que o corpo e a voz valem. Sem figurino, sem acompanhamento, o corpo é o instrumento que torna a palavra 'visível'. O corpo dá ritmo e visibilidade à expressão poética.

Alternativa A.

B, C, D e E mencionam outros aspectos (espaço urbano, autoria, tradução, performances de surdos) que não são o ponto principal.

Dica: procure o objetivo do corpo no texto, não apenas fatos.

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