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Questões de Gêneros textuais no ENEM

75 questões oficiais do ENEM sobre Gêneros textuais, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 41 fáceis, 31 médias, 3 difíceis.

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5 questões de Gêneros textuais resolvidas

Tente responder antes de abrir a resolução. No treino, você responde, vê a correção na hora e o seu progresso fica salvo.

Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 6fácil

Imagem da questão

De próprio punho

A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda

que vai do simples bilhete aos originais de um livro

Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia

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que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem

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burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade,

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o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais

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fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra,

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hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca,

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mais rotunda e mais cheia de arestas.

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É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita,

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manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso

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não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que

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eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de

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tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou

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sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever

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neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais

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ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias

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possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje,

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são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou

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três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times

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New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus

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e o mundo.

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A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca

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deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até

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hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços

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e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está

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em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na

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cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus

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coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its

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na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico

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comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso.

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No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais

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lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai

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minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados

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precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam

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como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por

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outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais

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ainda as adultas) precisa conviver.

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As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco

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complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas

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ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando,

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mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de

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certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta

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muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação

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por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados,

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e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma

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frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”.

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RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).

No que diz respeito ao gênero bilhete, a autora dessa crônica

010175AZ7

  1. A

    ressalta a formalidade na comunicação com as pessoas de sua convivência.

  2. B

    critica a ansiedade causada pela velocidade da comunicação.

  3. C

    expressa a obrigatoriedade de concisão nas anotações.

  4. D

    questiona a prática da escrita de próprio punho.

  5. E

    apresenta a diversidade de usos no cotidiano.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

A autora mostra vários usos do bilhete no dia a dia:

  • na porta da geladeira, para se comunicar com quem mora com ela;
  • em post-its no escritório, para lembrar a si mesma de tarefas;
  • escritos a lápis ou a caneta, em papéis de várias cores, todos destinados à lixeira depois de cumpridos.

Ela está apresentando a diversidade de usos do bilhete no cotidiano.

Resposta: E.

Por que as outras não servem: a autora não fala de formalidade (A); ela até menciona a ansiedade das tarefas, mas não critica a velocidade da comunicação (B); não diz que a concisão é obrigatória (C); e não questiona a escrita à mão, ela gosta e ainda usa (D).

Dica: em questões sobre o que o autor faz com um tema, volte ao trecho em que o tema aparece e veja o verbo que melhor resume aquele parágrafo.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 7fácil

Conheça histórias de atletas paralímpicas que trocaram de modalidade durante a carreira esportiva Jane Karla: a goiana de 45 anos teve poliomielite aos três anos, o que prejudicou seus movimentos das pernas. Em 2003, iniciou no tênis de mesa e conseguiu conquistar títulos nacionais e internacionais. Mas conheceu o tiro com arco e, em 2015, optou por se dedicar somente à nova modalidade. Em seu ano de estreia no tiro, já faturou a medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015.

Elizabeth Gomes: a santista de 55 anos era jogadora de vôlei quando foi diagnosticada com esclerose múltipla em 1993. Ingressou no Movimento Paralímpico pelo basquete em cadeira de rodas até experimentar o atletismo. Chegou a praticar as duas modalidades simultaneamente

até optar pelas provas de campo em 2010. No

Campeonato Mundial de Atletismo, realizado em Dubai, em

2019, Beth se sagrou campeã do lançamento de disco e

estabeleceu um novo recorde mundial da classe F52.

Silvana Fernandes: a paraibana de 21 anos é natural de

São Bento e nasceu com malformação no braço direito.

Aos 15 anos, começou a praticar atletismo no lançamento

de dardo. Em 2018, enquanto competia na regional

Norte-Nordeste, foi convidada para conhecer o paratae

kwon do. No ano seguinte, migrou para a modalidade

e já faturou o ouro na categoria até 58 kg nos Jogos

Parapan-Americanos de Lima 2019.

Disponível em: https://cpb.org.br. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).

Esse conjunto de minibiografias tem como propósito

  1. A

    descrever as rotinas de treinamento das atletas.

  2. B

    comparar os desempenhos de atletas de alto rendimento.

  3. C

    destacar a trajetória profissional de atletas paralímpicas brasileiras.

  4. D

    indicar as categorias mais adequadas a adaptações paralímpicas.

  5. E

    estimular a participação de mulheres em campeonatos internacionais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: C

O texto traz três minibiografias de atletas paralímpicas brasileiras. Todas mostram a história delas: a doença ou deficiência, a mudança de modalidade e os títulos conquistados.

O propósito é destacar a trajetória profissional dessas atletas. Alternativa C.

A fala em rotinas de treino, que não aparecem. B diz comparar desempenhos, mas não há comparação. D e E tratam de adaptações e de estímulo, que o texto não faz.

Dica: em questões sobre o propósito de um texto, veja o que há em comum nos parágrafos.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 44fácil

Imagem da questão

Disponível em: www.facebook.com/minsaude. Acesso em: 13 jun. 2018.

Essa campanha publicitária do Ministério da Saúde visa

  1. A

    divulgar um conjunto de benefícios proporcionados pela amamentação.

  2. B

    apresentar tratamentos para infecções respiratórias em bebês.

  3. C

    defender o direito das mulheres de amamentar em público.

  4. D

    orientar sobre os exercícios para uma boa amamentação.

  5. E

    informar sobre o aumento de anticorpos nas mães.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

O cartaz pergunta "Por que é tão importante amamentar?" e lista vantagens: anticorpos, menor risco de asma, diabetes e obesidade, desenvolvimento da face, dentes, fala e respiração.

O objetivo é divulgar um conjunto de benefícios da amamentação. Alternativa A.

B trata de tratamentos, que não aparecem. C fala de direito de amamentar em público, o que não é citado. D fala em exercícios para a mãe, e E restringe a um só benefício.

Dica: em campanhas publicitárias, observe o título e a lista de argumentos para descobrir a finalidade.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 7difícil

TEXTO I

Imagem da questão

Disponível em: https://amigodobicho.wordpress.com. Acesso em: 10 dez. 2017.

TEXTO II

Nas ruas, na cidade e no parque

Ninguém nunca prendeu o Delegado. O vaivém de rua em rua e sua longa vida são relembrados e recontados. Exemplo de sobrevivência, liderança, inteligência canina, desde pequenininho seu focinho negro e seus olhos delineados desenharam um mapa mental olfativo-visual de Lavras. Corria de quem precisava correr e se aproximava de quem não lhe faria mal, distinguia este daquele. Assim, tornou-se um cão comunitário. Nunca se soube por que escolheu a rua, talvez lhe tenham feito mal dentro de quatro paredes. Idoso, teve câncer e desapareceu. O querido foi procurado pela cidade inteira por duas protetoras, mas nunca encontrado.

COSTA, A. R. N. Viver o amor aos cães: Parque Francisco de Assis. Carmo do Cachoeira: Irdin, 2014 (adaptado).

Os dois textos abordam a temática de animais de rua, porém, em relação ao Texto I, o Texto II

  1. A

    problematiza a necessidade de adoção de animais sem lar.

  2. B

    valida a troca afetiva entre os pets adotados e seus donos.

  3. C

    reforça a importância da campanha de adoção de animais.

  4. D

    exalta a natureza amigável de cães e de gatos.

  5. E

    promove a campanha de adoção de animais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

O Texto I é um cartaz de campanha de adoção de cães e gatos ("Me leve para sua casa!"). O Texto II conta a história de um cão que viveu na rua e nunca foi adotado, desapareceu e não foi achado.

Enquanto o cartaz promove a adoção, o relato mostra a vida de um cão de rua e faz pensar na necessidade de adoção de animais sem lar: A.

A B e a D tratam de afeto entre pets e donos ou de natureza amigável, ausentes. A C e a E dizem que o Texto II faz campanha, mas só o Texto I faz isso.

Dica: compare o gênero e a função de cada texto (campanha x relato).

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 19média

Senhor Juiz

O instrumento do “crime” que se arrola

Nesse processo de contravenção

Não é faca, revólver ou pistola,

Simplesmente, doutor, é um violão.

Será crime, afinal, será pecado,

Será delito de tão vis horrores,

Perambular na rua um desgraçado

Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia

(a consciência assim nos insinua)

Não sufoque o cantar que vem da rua,

Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,

Na certeza do seu acolhimento

Juntada desta aos autos nós pedimos

E pedimos, enfim, deferimento.

Disponível em: www.migalhas.com.br. Acesso em: 23 set. 2020 (adaptado).

Essa petição de habeas corpus, ao transgredir o rigor da linguagem jurídica,

  1. A

    permite que a narrativa seja objetiva e repleta de sentidos denotativos.

  2. B

    mostra que o cordel explora termos próprios da esfera do direito.

  3. C

    demonstra que o jogo de linguagem proposto atenua a gravidade do delito.

  4. D

    exemplifica como o texto em forma de cordel compromete a solicitação pretendida.

  5. E

    esclarece que os termos “crime” e “processo de contravenção” são sinônimos.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: C

A petição de habeas corpus é feita em versos de cordel, e brinca com a linguagem jurídica ('deferimento', 'autos') ao pedir a liberdade de um violeiro. O jogo de linguagem humaniza o caso e atenua a gravidade do 'crime', que é só tocar violão.

Alternativa C.

A é errada: o texto é poético, não objetivo. B é errada: o cordel não explora termos do direito, o texto sim. D é errada: não compromete a solicitação. E é errada: o termo 'crime' está entre aspas, mostrando ironia.

Dica: quebra de gênero costuma criar efeito de humor ou crítica.

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