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Linguagens · Português

Questões de Figuras de linguagem e recursos expressivos no ENEM

19 questões oficiais do ENEM sobre Figuras de linguagem e recursos expressivos, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 4 fáceis, 15 médias.

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5 questões de Figuras de linguagem e recursos expressivos resolvidas

Tente responder antes de abrir a resolução. No treino, você responde, vê a correção na hora e o seu progresso fica salvo.

Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 25média

Passando por aqui para lembrar algumas palavras, frases e expressões que nos infernizaram em 2023. Inclusive passando por aqui. Se você for proativo, vai achar que é o novo normal. Estarão na sua zona de conforto. Mas, se for reativo como eu, vai achar que é uma narrativa que precisa ser ressignificada.

É uma questão de empatia. É sobre entregar um discurso mais robusto e empoderado. Sei bem que não tenho lugar de fala para harmonizar certos pontos fora da curva e que preciso aplicar toda a minha resiliência para fazer um realinhamento. O nível de fitness está hoje num sarrafo muito alto.

O fato é que acho cringe essas falas fora da caixinha. Aliás, falar cringe já é meio cringe. Preciso usar a superação para me reinventar e entender que resenha não tem mais a ver com futebol, é qualquer papo, desde que latente.

Pensando bem, não é tão difícil. Frases feitas são aquelas que entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro. A boca fala por conta própria, dispensando-nos de pensar. E não tem problema nisso. Ou as ditas frases se incorporam à língua ou morrem e nascem outras. A língua é assim. Simples assim.

CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).

Nesse texto, a estratégia empregada para criticar a constante exposição a palavras, frases e expressões automatizadas é o(a)

  1. A

    menção feita à efemeridade de alguns usos linguísticos aleatórios.

  2. B

    subjetividade marcada pela reflexão que se desenvolve em primeira pessoa.

  3. C

    efeito estilístico da repetição intencional da palavra “assim” no último parágrafo.

  4. D

    sedução sugerida pelo envolvimento direto do leitor marcado nos usos de “você” e “sua”.

  5. E

    humor gerado pelo uso das estruturas linguísticas que são objeto da reflexão desenvolvida.

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Gabarito: E

A autora critica o uso automático de modismos ("novo normal", "zona de conforto", "ressignificar", "cringe", "lugar de fala") usando justamente esses modismos em excesso, num texto cheio de clichês. O humor nasce dessa autoparódia: ela usa as estruturas que critica. Alternativa E.

  • A: a efemeridade é citada no fim, mas não é a estratégia do texto.
  • B: usa a primeira pessoa, mas isso não explica a crítica.
  • C e D: são detalhes, não a estratégia central.

Dica: quando um texto usa aquilo que critica, pense em ironia e humor.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 37média

Se você é feito de música, este texto é pra você

Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando: que graça teria a vida sem música? Sem ela não há paz, não há beleza. Nos dias de festa e nas madrugadas de pranto, nas trilhas dos filmes e nas corridas no parque, o que seria de nós sem as canções que enfeitam o cotidiano com ritmo e verso? Quem nunca curou uma dor de cotovelo dançando lambada ou terminou de se afundar ouvindo sertanejo sofrência? Quantos já criticaram funk e fecharam a noite descendo até o chão? Tudo bem... Raul nos ensinou que é preferível ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Já somos castigados com o peso das tragédias, o barulho das buzinas, os ruídos dos conflitos. É pau, é pedra, é o fim do caminho. Há uma nuvem de lágrimas sobre os olhos, você está na lanterna dos afogados, o coração despedaçado. Mas, como um sopro, da janela do vizinho, entra o samba que reanima a mente. Floresce do fundo do nosso quintal a batida que ressuscita o ânimo, sintoniza a alegria e equaliza o fôlego. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.

BITTAR, L. Disponível em: www.revistabula.com. Acesso em: 21 nov. 2021 (adaptado).

Defendendo a importância da música para o bem-estar e o equilíbrio emocional das pessoas, a autora usa, como recurso persuasivo, a

  1. A

    contradição, ao associar o coração despedaçado à alegria.

  2. B

    metáfora, ao citar a imagem da metamorfose ambulante.

  3. C

    intertextualidade, ao resgatar versos de letras de canções.

  4. D

    enumeração, ao mencionar diferentes ritmos musicais.

  5. E

    hipérbole, ao falar em “sofrência”, “tragédias” e “afogados”.

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Gabarito: C

A autora cita trechos de canções sem aspas: "é pau, é pedra, é o fim do caminho", "lanterna dos afogados", "levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima", e fala de Raul Seixas (metamorfose ambulante). Ela usa músicas para falar de música, ou seja, intertextualidade. Alternativa C.

  • B: "metamorfose ambulante" é uma metáfora, mas é citação de Raul, e o recurso persuasivo central é o conjunto das citações.
  • D: a enumeração de ritmos é apenas um dos momentos.
  • A: não há contradição nesse sentido.
  • E: "sofrência" não é hipérbole.

Dica: intertextualidade é quando um texto dialoga com outro (citação, paráfrase, alusão).

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 43média

Mestre e companheiro, disse eu que nos íamos despedir. Mas disse mal. A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima. Um dia supuseste “morta e separada” a consorte dos teus sonhos e das tuas agonias, que te soubera “pôr um mundo inteiro no recanto” do teu ninho; e, todavia, nunca ela te esteve mais presente, no íntimo de ti mesmo e na expressão do teu canto, no fundo do teu ser e na face de tuas ações. Esses catorze versos inimitáveis, em que o enlevo dos teus discípulos resume o valor de toda uma literatura, eram a aliança de ouro do teu segundo noivado, um anel de outras núpcias, para a vida nova do teu renascimento e da tua glorificação, com a sócia sem nódoa dos teus anos de mocidade e madureza, da florescência e frutificação de tua alma. Para os eleitos do mundo das ideias a miséria está na decadência, e não na morte. A nobreza de uma nos preserva das ruínas da outra. Quando eles atravessavam essa passagem do invisível, que os conduz à região da verdade sem mescla, então é que entramos a sentir o começo do seu reino, o reino dos mortos sobre os vivos.

BARBOSA, R. O adeus da Academia a Machado de Assis. Rio de Janeiro: Agir, 1962.

Esse é um trecho do discurso de Rui Barbosa na Academia Brasileira de Letras em homenagem a Machado de Assis por ocasião de sua morte. Uma das características desse discurso de homenagem é a presença de

  1. A

    metáforas relacionadas à trajetória pessoal e criadora do homenageado.

  2. B

    recursos fonológicos empregados para a valorização do ritmo do texto.

  3. C

    frases curtas e diretas no relato da vida e da morte do homenageado.

  4. D

    contraposição de ideias presentes na obra do homenageado.

  5. E

    seleção vocabular representativa do sentimento de nostalgia.

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Gabarito: A

O discurso usa linguagem figurada para falar de Machado de Assis: a esposa dele é a "consorte dos teus sonhos", os sonetos são a "aliança de ouro" e "anel de outras núpcias", a morte é passagem para o "reino dos mortos sobre os vivos". Essas imagens se ligam à vida pessoal e à obra do homenageado.

Portanto, há metáforas relacionadas à trajetória pessoal e criadora dele. Alternativa A.

B não é característica central. C está errada, pois as frases são longas e elaboradas. D e E não descrevem o texto: não há contraposição de ideias da obra nem foco em nostalgia.

Dica: reconhecer metáforas ajuda a identificar o estilo de textos solenes e discursos.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 33média

Notas

Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d’água benta, o fechar do caixão, a prego e martelo, seis pessoas que o tomam da essa, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as correias, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevo.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 25 jul. 2022.

O recurso linguístico que permite a Machado de Assis considerar um capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas como inventário é a

  1. A

    enumeração de objetos e fatos.

  2. B

    predominância de linguagem objetiva.

  3. C

    ocorrência de período longo no trecho.

  4. D

    combinação de verbos no presente e no pretérito.

  5. E

    presença de léxico do campo semântico de funerais.

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Gabarito: A

Machado lista, separados por vírgulas, vários objetos e acontecimentos de um funeral: soluços, veludo, caixão, tocheiros, convidados, rezas. Essa sequência sem conectivos, que soa como uma lista de itens, é a enumeração, e por isso ele diz que "parece um simples inventário". Resposta: A.

A E cita o vocabulário de funerais, que existe, mas não é o que justifica a ideia de inventário. A C (período longo) é verdadeira, mas não explica a comparação com uma lista.

Dica: um inventário é uma lista: pense em enumeração.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 10média

O ouro do século 21

Cério, gadolínio, lutécio, promécio e érbio; sumário, térbio e disprósio; hólmio, túlio e itérbio. Essa lista de nomes esquisitos e pouco conhecidos pode parecer a escalação de um time de futebol, que ainda teria no banco de reservas lantânio, neodímio, praseodímio, európio, escândio e ítrio. Mas esses 17 metais, chamados de terras-raras, fazem parte da vida de quase todos os humanos do planeta. Chamados por muitos de “ouro do século 21”, “elementos do futuro” ou “vitaminas da indústria”, eles estão nos materiais usados na fabricação de lâmpadas, telas de computadores, tablets e celulares, motores de carros elétricos, baterias e até turbinas eólicas. Apesar de tantas aplicações, o Brasil, dono da segunda maior reserva do mundo desses metais, parou de extraí-los e usá-los em 2002. Agora, volta a pensar em retomar sua exploração.

SILVEIRA, E. Disponível em: www.revistaplaneta.com.br. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).

As aspas sinalizam expressões metafóricas empregadas intencionalmente pelo autor do texto para

  1. A

    imprimir um tom irônico à reportagem.

  2. B

    incorporar citações de especialistas à reportagem.

  3. C

    atribuir maior valor aos metais, objeto da reportagem.

  4. D

    esclarecer termos científicos empregados na reportagem.

  5. E

    marcar a apropriação de termos de outra ciência pela reportagem.

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Gabarito: C

No texto, expressões como 'ouro do século 21', 'elementos do futuro' e 'vitaminas da indústria' estão entre aspas. São metáforas que atribuem grande valor aos metais, comparando-os ao ouro, às vitaminas etc.

Alternativa C.

A está errada: não há ironia. B está errada: não são citações de especialistas. D está errada: não explicam termos científicos. E está errada: não é apropriação de termo de outra ciência.

Dica: aspas podem marcar ironia, citação ou destaque; veja o contexto.

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