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Ciências Humanas · História

Questões de Idade Moderna no ENEM

19 questões oficiais do ENEM sobre Idade Moderna, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 7 fáceis, 12 médias.

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5 questões de Idade Moderna resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2024 · Questão 51média

A valsa vienense é a mais antiga das danças de salão tradicional. É dançada desde a Idade Média, quando os pares davam voltas pelo salão realizando giros em torno de si mesmos em postura fechada. Pelo fato de ser dançada aos pares em contato íntimo, a valsa encantava a sociedade medieval, como também sofria proibições por infringir os “bons costumes”. Originária das danças campestres e folclóricas, no século XVI, a aristocracia francesa abandonou a valsa por sua estreita relação com a cultura plebeia, retomando-a posteriormente.

FRANCO, N.; FERREIRA, N. Evolução da dança no contexto histórico: aproximações iniciais com o tema. Repertório, n. 26, 2016 (adaptado).

A expressão cultural descrita no texto foi rejeitada no início da Idade Moderna por congregar

  1. A

    traços advindos da feitiçaria nórdica.

  2. B

    práticas inspiradas em rituais pagãos.

  3. C

    regras decorrentes do período renascentista.

  4. D

    compassos produzidos em territórios colonizados.

  5. E

    elementos provenientes de segmentos populares.

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Gabarito: E

O texto diz que a aristocracia francesa abandonou a valsa no século XVI por sua "estreita relação com a cultura plebeia", pois a dança vinha de danças campestres e folclóricas.

Portanto, foi rejeitada por conter elementos provenientes de segmentos populares. Alternativa E.

Não há ligação com feitiçaria nórdica, rituais pagãos, Renascimento ou colônias: essas opções inventam origens que o texto não menciona.

Dica: preste atenção na palavra-chave do texto (plebeia = povo) e relacione-a a elementos populares.

Questão 2 · ENEM 2023 · Questão 73fácil

Os séculos XV e XVI, quando se vão desmoronando as estruturas socioeconômicas da Idade Média perante os novos imperativos da Época moderna, constituem um momento-chave na história florestal de toda a Europa Ocidental. Abre-se, genericamente, um longo período de “crise florestal”, que se manifesta com acuidade nos países onde mais se desenvolvem as atividades industriais e comerciais. As necessidades em produtos lenhosos aumentam drasticamente com o crescimento do consumo nos mercados urbanos e nas regiões onde progridem a metalurgia e a construção naval, além da sua utilização na vida quotidiana de toda a população.

DEVY-VARETA, N. Para uma geografia histórica da floresta portuguesa. Revista da Faculdade de Letras — Geografia, n. 1, 1986 (adaptado).

Qual acontecimento do período contribuiu diretamente para o agravamento da situação descrita?

  1. A

    O processo de expansão marítima.

  2. B

    A eclosão do renascimento cultural.

  3. C

    A concretização da centralização política.

  4. D

    O movimento de reformas religiosas.

  5. E

    A manutenção do sistema feudal.

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Gabarito: A

O texto descreve a "crise florestal" nos séculos XV e XVI: a madeira passou a ser muito mais consumida na metalurgia, na construção naval e nas cidades.

Qual fato da época aumentou a demanda por navios e comércio? A expansão marítima. Ela exigiu muitas embarcações, o que levou ao corte intenso de florestas.

As outras opções estão erradas: o Renascimento e as reformas religiosas não demandam madeira em grande escala, a centralização política não explica o consumo e o feudalismo estava em declínio, como o próprio texto diz.

Dica: em questões de causa e consequência, ligue a palavra-chave do texto (construção naval) ao processo histórico do período (Grandes Navegações).

Questão 3 · ENEM 2022 · Questão 85média

TEXTO I

Manda o Santo Ofício da Inquisição que ninguém, seja qual for seu estado, idade ou condição, pare com carroça, caleça ou montaria nem atrapalhe com mesas ou cadeiras o centro das ruas, que vão da Inquisição a São Domingos, nem atravesse a procissão em ponto algum da ida ou da volta, amanhã, 19 do corrente, em que se celebrará auto de fé. E também que nem nesse dia nem nos dos açoites ouse alguém atirar nos réus maçãs, pedras, laranjas nem outra coisa qualquer.

PALMA, R. Anais da Inquisição de Lima. São Paulo: Edusp; Giordano, 1992 (adaptado).

TEXTO II

Como acontece em todos os ritos, o sentido do auto da fé é conferido pela sequência dos atos que o compõem. Os lugares, as posturas, os gestos, as palavras são fixados previamente em toda a sua complexidade. Por isso, o auto da fé apresenta momentos fortes — durante a preparação, a encenação, o ato e a recepção — que convém seguir em seus pormenores.

BETHENCOURT, F. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – séculos XV-XIX. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.

O rito mencionado nos textos demonstra a capacidade da Igreja em

  1. A

    abrandar cerimônias de punição.

  2. B

    favorecer anseios de violência.

  3. C

    criticar políticas de disciplina.

  4. D

    produzir padrões de conduta.

  5. E

    ordenar cultos de heresia.

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Gabarito: D

O Texto I mostra regras minuciosas para o auto de fé (quem circula, onde, o que é proibido). O Texto II diz que lugares, posturas, gestos e palavras eram fixados previamente.

O rito, público e ritualizado, ensinava aos fiéis o que era aceito ou punido, isto é, produzia padrões de conduta (D).

A contraria o texto (o rito era punição pública). B e E fogem do sentido: a Igreja queria disciplinar, não estimular violência nem cultos de heresia. C: a Igreja exercia, e não criticava, a política de disciplina.

Dica: a Inquisição usava rituais públicos para impor modelos de comportamento e reforçar a ordem católica.

Questão 4 · ENEM 2020 · Questão 52fácil

Dois grandes eventos históricos tornaram possível um caso como o de Menocchio: a invenção da imprensa e a Reforma. A imprensa lhe permitiu confrontar os livros com a tradição oral em que havia crescido e lhe forneceu as palavras para organizar o amontoado de ideias e fantasias que nele conviviam. A Reforma lhe deu audácia para comunicar o que pensava ao padre do vilarejo, conterrâneos, inquisidores — mesmo não tendo conseguido dizer tudo diante do papa, dos cardeais e dos príncipes, como queria.

GINZBURG, C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

Os acontecimentos históricos citados ajudaram esse indivíduo, no século XVI, a repensar a visão católica do mundo ao possibilitarem a

  1. A

    consulta pública das bibliotecas reais.

  2. B

    sofisticação barroca do ritual litúrgico.

  3. C

    aceitação popular da educação secular.

  4. D

    interpretação autônoma dos textos bíblicos.

  5. E

    correção doutrinária das heresias medievais.

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Gabarito: D

O texto diz que a imprensa permitiu a Menocchio ler livros e confrontá-los com o que sabia, e que a Reforma lhe deu coragem para falar. A Reforma protestante defendia que cada fiel lesse a Bíblia sem depender só do clero, e a imprensa tornou isso possível.

Os dois fatos levaram à interpretação autônoma dos textos bíblicos (D).

As demais alternativas (bibliotecas reais, barroco, educação secular, correção de heresias) não estão ligadas ao que o texto mostra.

Dica: imprensa mais Reforma resultam em leitura e interpretação individuais da Bíblia.

Questão 5 · ENEM 2019 · Questão 63média

Imagem da questão

TEXTO I

A centralização econômica, o protecionismo e a expansão ultramarina engrandeceram o Estado, embora beneficiassem a burguesia incipiente.

ANDERSON, P. In: DEYON, P. O mercantilismo. Lisboa: Gradiva,1989 (adaptado).

TEXTO II

As interferências da legislação e das práticas exclusivistas restringem a operação benéfica da lei natural na esfera das relações econômicas.

SMITH, A. A riqueza das Nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (adaptado).

Entre os séculos XVI e XIX, diferentes concepções sobre as relações entre Estado e economia foram formuladas. Tais concepções, associadas a cada um dos textos, confrontam-se, respectivamente, na oposição entre as práticas de

  1. A

    valorização do pacto colonial — combate à livre-iniciativa.

  2. B

    defesa dos monopólios régios — apoio à livre concorrência.

  3. C

    formação do sistema metropolitano — crítica à livre navegação.

  4. D

    abandono da acumulação metalista — estímulo ao livre-comércio.

  5. E

    eliminação das tarifas alfandegárias — incentivo ao livre-cambismo.

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Gabarito: B

O Texto I descreve o mercantilismo: centralização econômica, protecionismo e expansão ultramarina que fortalecem o Estado. Na prática, isso incluía monopólios reais (como o pacto colonial) e controle do comércio.

O Texto II é de Adam Smith e defende a "lei natural", isto é, a livre concorrência, sem interferências nem privilégios exclusivistas.

O confronto é entre defesa dos monopólios régios e apoio à livre concorrência (B).

A alternativa A erra ao falar em "combate à livre-iniciativa", e as demais trocam os conceitos (por exemplo, o mercantilismo não abandonava o metalismo).

Dica: mercantilismo é Estado intervindo e monopolizando. Liberalismo clássico (Smith) é livre mercado.

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