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Ciências Humanas · História

Questões de História contemporânea no ENEM

50 questões oficiais do ENEM sobre História contemporânea, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 21 fáceis, 25 médias, 4 difíceis.

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5 questões de História contemporânea resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 52fácil

Não há consenso em torno do nome dado à pandemia, tendo, desde o seu início, sido chamada de gripe espanhola provavelmente por causa da desinformação em torno da notícia sobre sua origem. Uma das hipóteses deriva da neutralidade espanhola na Primeira Guerra Mundial e a consequente liberdade de imprensa naquele país, maior do que nos demais países envolvidos no conflito. Hoje existe o consenso entre virologistas e epidemiologistas de que o vírus da gripe não se originou na Espanha. Entretanto, dificilmente essa pandemia deixará de ser conhecida como gripe espanhola.

KLAJMAN, C. A gripe sob a ótica da história ecológica. História Revista, n. 3, set.-dez. 2015 (adaptado).

De acordo com o texto, a denominação recebida pela pandemia do começo do século XX foi determinada pelo(a)

  1. A

    precariedade dos conhecimentos da medicina militar.

  2. B

    retaliação da tríplice aliança aos soldados desertores.

  3. C

    controle dos relatos oriundos de campos de batalha.

  4. D

    emprego de armas biológicas em confrontos transnacionais.

  5. E

    circulação de refugiados contaminados em áreas conflagradas.

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Gabarito: C

O texto explica que a gripe de 1918 ficou conhecida como "espanhola" porque a Espanha, neutra na guerra, tinha mais liberdade de imprensa e noticiava a doença. Os países em guerra censuravam as notícias. O nome veio, então, do controle dos relatos vindos dos campos de batalha (letra C).

A, B, D e E não são mencionadas no texto.

Dica: leia a causa dada pelo texto, não use conhecimento externo. Neutralidade + imprensa livre = nome da gripe.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 69média

Atribuo a causa desse florescimento estéril a um sistema de educação falso, extraído de livros sobre o assunto escrito por homens que, ao considerar as mulheres mais como fêmeas do que como criaturas humanas, estão mais ansiosos em torná-las damas sedutoras do que esposas afetuosas e mães racionais. O entendimento do sexo feminino tem sido tão distorcido por essa homenagem ilusória de que as mulheres civilizadas de nosso século, com raras exceções, anseiam apenas inspirar amor, quando deveriam nutrir uma ambição mais nobre e exigir respeito por suas capacidades e virtudes.

WOLLSTONECRAFT, M. Reivindicação dos direitos da mulher. São Paulo: Boitempo, 2016.

Nesse texto, escrito no século XVIII, a autora reivindica para as mulheres a

  1. A

    recuperação de sua participação política.

  2. B

    equiparação de ganhos salariais.

  3. C

    valorização de seu papel social.

  4. D

    distinção de padrões biológicos.

  5. E

    ocupação de cargos públicos.

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Gabarito: C

Wollstonecraft critica a educação que forma mulheres como "damas sedutoras" e não como seres racionais, e quer que exijam respeito por suas capacidades e virtudes.

A reivindicação é a valorização de seu papel social, como esposas e mães racionais e pessoas com capacidade. Alternativa C.

O texto não fala de política, salário, biologia ou cargos públicos, que seriam reivindicações posteriores do feminismo.

Dica: feminismo do século XVIII (Iluminismo): educação e racionalidade das mulheres.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 51média

Escrito durante a Primeira Guerra Mundial, o seguinte trecho faz parte da carta enviada pelo secretário do exterior britânico, Sir Arthur James Balfour, ao banqueiro Lord Rotschild, presidente da Liga Sionista, em 2 de novembro de 1917, a carta ficou conhecida como Declaração Balfour:

“O governo de Sua Majestade vê com aprovação o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e fará todos os esforços para facilitar tal objetivo. Nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas na Palestina.”

GATTAZ, A. A Guerra da Palestina. São Paulo: Usina do Livro, 2002 (adaptado).

A análise do resultado do processo em questão revela que o governo inglês foi incapaz de garantir seu objetivo de

  1. A

    promover o bem-estar social.

  2. B

    negociar o apoio muçulmano.

  3. C

    mediar os conflitos territoriais.

  4. D

    estimular a cooperação regional.

  5. E

    combater os governos autocráticos.

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Gabarito: C

A Declaração Balfour apoiava um lar nacional judeu na Palestina, mas prometia respeitar os direitos das comunidades não judaicas. O resultado histórico foi um conflito árabe-israelense duradouro e a disputa pelo território: o governo inglês não conseguiu mediar os conflitos territoriais (C).

A e D falam de bem-estar e cooperação regional, que não era o objetivo central. B é tentadora, mas o texto trata de promessa feita a judeus e árabes, e a falha foi a de conciliar os dois lados. E foge do contexto.

Dica: a Declaração Balfour está na origem do conflito Israel-Palestina.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 73média

A história do Primeiro de Maio de 1890 — na França e na Europa, o primeiro de todos os Primeiros de Maio — é, sob vários aspectos, exemplar. Resultante de um ato político deliberado, essa manifestação ilustra o lado voluntário da construção de uma classe — a classe operária — à qual os socialistas tentam dar uma unidade política e cultural através daquela pedagogia da festa cujo princípio, eficácia e limites há muito tempo tinham sido experimentados pela Revolução Francesa.

PERROT, M. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

Com base no texto, a fixação dessa data comemorativa tinha por objetivo

  1. A

    valorizar um sentimento burguês.

  2. B

    afirmar uma identidade coletiva.

  3. C

    edificar uma memória nacional.

  4. D

    criar uma comunidade cívica.

  5. E

    definir uma tradição popular.

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Gabarito: B

O texto diz que o Primeiro de Maio de 1890 foi um ato político deliberado para construir a classe operária, dando aos trabalhadores "unidade política e cultural" por meio da festa.

O objetivo da data era, então, criar uma identidade coletiva para os operários: B.

A contradiz o texto (a classe é operária, não burguesa). C e D falam de memória nacional e comunidade cívica, mas a data é de uma classe, internacional. E: a data foi criada pelos socialistas, não é uma tradição popular antiga.

Dica: festas e datas comemorativas ajudam a construir identidade e consciência de classe.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 68média

A reabilitação da biografi a histórica integrou as aquisições da história social e cultural, oferecendo aos diferentes atores históricos uma importância diferenciada, distinta, individual. Mas não se tratava mais de fazer, simplesmente, a história dos grandes nomes, em formato hagiográfi co — quase uma vida de santo —, sem problemas, nem máculas. Mas de examinar os atores (ou o ator) célebres ou não, como testemunhas, como refl exos, como reveladores de uma época.

DEL PRIORE, M. Biografi a: quando o indivíduo encontra a história. Topoi, n. 19, jul.-dez. 2009.

De acordo com o texto, novos estudos têm valorizado

a história do indivíduo por se constituir como

possibilidade de

  1. A

    adesão ao método positivista.

  2. B

    expressão do papel das elites.

  3. C

    resgate das narrativas heroicas.

  4. D

    acesso ao cotidiano das comunidades.

  5. E

    interpretação das manifestações do divino.

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Gabarito: D

O texto fala da biografia histórica renovada: ela não conta mais a vida de "grandes nomes", mas usa indivíduos, célebres ou não, como "testemunhas" e "reveladores de uma época". Ou seja, a história do indivíduo permite acessar o cotidiano das comunidades (D).

Não é adesão ao positivismo (A), foco nas elites (B) nem resgate de narrativas heroicas (C), que o texto rejeita ("hagiográfico"). Também não trata do divino (E).

Dica: a Nova História valoriza o cotidiano e as pessoas comuns.

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