29 questões oficiais do ENEM sobre Brasil Colônia, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 8 fáceis, 19 médias, 2 difíceis.
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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 73média
Entre esses preconceitos estava o canibalismo. A prática não era, porém, uma mentira, uma invenção europeia, mas um ritual controlado por regras. Entre os tupis, por exemplo, os guerreiros se sentiam honrados quando morriam em um banquete canibal. Para os europeus, no entanto, comer carne humana era abominável, pois nem mesmo os leões ingeriam seus semelhantes. Portanto, para os conquistadores, o canibalismo era sinônimo de barbarismo e da incapacidade de se autogovernar.
RAMINELLI, R. Canibalismo para alemão ver. In: FIGUEIREDO, L. (Org.). História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013 (adaptado).
No texto, europeus e ameríndios atribuíram à prática relatada, respectivamente, o significado de
A
selvageria — empoderamento.
B
impetuosidade — resistência.
C
fanatismo — humilhação.
D
intolerância — violência.
E
repressão — justiça.
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Gabarito: A
Para os europeus, o canibalismo era sinal de barbárie, de "selvageria". Para os tupis, os guerreiros se sentiam honrados em morrer num banquete canibal, o que expressava prestígio e força. A alternativa A (selvageria, empoderamento) une as duas visões.
B, C, D e E trazem significados que o texto não atribui a nenhum dos lados.
Dica: choque cultural na colonização = visão eurocêntrica versus sentido ritual indígena.
Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 50média
O bispo Bartolomeu de Las Casas é o homem mais odiado da América, o anti-Cristo dos senhores, o açoite destas terras. Por sua culpa, o imperador promulgou novas leis que despojam de escravos índios os filhos dos conquistadores. O que será deles sem os braços que os sustentam nas minas e nas lavouras? As novas leis estão arrancando a comida de suas bocas. Las Casas é o homem mais amado da América. Voz dos mudos, teimoso defensor dos que recebem pior tratamento que o esterco das praças, denunciador de quem por cobiça converte Jesus Cristo no mais cruel dos deuses e o rei em lobo faminto de carne humana.
GALEANO, E. Os nascimentos. Porto Alegre: L&PM, 2011 (adaptado).
Os diferentes pontos de vista presentes no texto expressam que o bispo era, ao mesmo tempo,
A
execrado pelos reis e reverenciado pelos religiosos do local.
B
detestado pelos colonizadores e respeitado pelos povos do lugar.
C
menosprezado pela colônia e idolatrado pelos governantes da região.
D
desrespeitado pela metrópole e adorado pelos invasores da Espanha.
E
desacatado pelos excluídos e valorizado pelos negociantes de negros.
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Gabarito: B
O texto traz dois pontos de vista sobre Las Casas. Para os senhores (conquistadores), ele é odiado por defender o fim da escravização indígena, que atingia seus interesses. Para os indígenas, é o "voz dos mudos", seu defensor.
Logo, ele era detestado pelos colonizadores e respeitado pelos povos do lugar. Alternativa B.
O imperador, citado como autor das novas leis, não o odiava (A e D). As demais misturam grupos que o texto não cita.
Dica: identifique quem fala: os senhores de terra e os indígenas oferecem pontos de vista opostos.
Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 63fácil
Seda, madeiras aromáticas e têxteis, obras de arte, lã, cristais e muitas, muitas peças de porcelana chegaram ao Brasil ao longo dos séculos XVII e XVIII. A opulência proporcionada pelo ouro fez com que esses itens fossem ainda mais presentes em cidades mineiras como Ouro Preto, Mariana e Sabará. Esses objetos inspiraram a criação das chinesices, termo que designa um tipo de arte que evoca motivos chineses, presentes em várias igrejas barrocas de Minas Gerais. No Brasil, é bem provável que a inspiração para as pinturas nas igrejas barrocas com pássaros, elefantes, tigres, mandarins e pagodes tenha sido tirada de gravuras, tecidos, móveis e, principalmente, das porcelanas chinesas que circulavam livremente em uma sociedade enriquecida pelo comércio do ouro e pedras preciosas.
MARIUZZO, P. Estudos interdisciplinares ampliam conhecimento sobre chinesice no barroco mineiro. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br. Acesso em: 23 nov. 2021 (adaptado).
O desenvolvimento do processo artístico descrito no texto foi possível pelo(a)
A
representação arquitetônica.
B
intercâmbio transcontinental.
C
dependência econômica.
D
intervenção estatal.
E
padrão estético.
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Gabarito: B
O texto diz que seda, porcelanas e objetos da China chegaram ao Brasil nos séculos XVII e XVIII, graças ao comércio do ouro, e inspiraram as chinesices nas igrejas barrocas. A arte nasceu do contato entre continentes: intercâmbio transcontinental (B).
A (representação arquitetônica) e E (padrão estético) são conceitos de arte, não a causa do processo. C (dependência econômica) e D (intervenção estatal) não aparecem.
Dica: o comércio colonial ligava Ásia, Europa e América e transmitia influências culturais.
Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 77média
Para os Impérios Coloniais, o problema das doenças que atingiam os escravos era algo com que cotidianamente deparavam os senhores. Em vista disso, uma série de obras dedicadas à administração de escravos foi publicada com vista a implementar uma moderna gestão da mão de obra escravista em convergência com o Iluminismo. Nesse contexto, o saber médico adquiria um papel extremamente relevante. Este era encarado como um instrumento fundamental ao desenvolvimento colonial, dada a percepção do impacto que as doenças tropicais causavam na população branca e nos povos escravizados.
ABREU, J. L. N. A Colônia enferma e a saúde dos povos: a medicina das “luzes” e as informações sobre as enfermidades da América portuguesa. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, n. 3, jul.-set. 2007 (adaptado).
De acordo com o texto, a importância da medicina se justifica no âmbito dos objetivos
A
econômicos das elites.
B
naturalistas dos viajantes.
C
abolicionistas dos letrados.
D
tradicionalistas dos nativos.
E
emancipadores das metrópoles.
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Gabarito: A
O texto explica que as doenças atingiam os escravizados e prejudicavam a mão de obra. A medicina ilustrada ajudaria a administrar melhor a escravaria e a desenvolver a colônia. Era uma preocupação com o lucro e o trabalho, ou seja, objetivos econômicos das elites (A).
B (viajantes naturalistas), C (abolicionistas), D (nativos tradicionalistas) e E (emancipação das metrópoles) não aparecem: pelo contrário, o texto trata de gestão do trabalho escravo, não de libertação.
Dica: no período colonial, avanços científicos eram usados para atender ao interesse econômico dos senhores.
Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 81fácil
Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Pareceme que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos.
LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938 (adaptado).
O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a
A
propagação do ideário cristão.
B
valorização do trabalho braçal.
C
adoção do cativeiro na Colônia.
D
adesão ao ascetismo contemplativo.
E
alfabetização dos indígenas nas Missões.
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Gabarito: C
O jesuíta diz que não se pode viver sem escravos para lenha, água e pão e que a Companhia deve adquiri-los. Ele busca justificar a adoção do cativeiro na Colônia (C), mesmo entre religiosos.
Propagação do ideário cristão (A) é a missão jesuíta, mas o trecho trata de escravos. Valorização do trabalho braçal (B) e ascetismo (D) não são o foco; alfabetizar indígenas (E) também não.
Dica: leia o argumento central: a defesa de ter escravos.
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