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Ciências Humanas · História

Questões de Brasil Império no ENEM

35 questões oficiais do ENEM sobre Brasil Império, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 7 fáceis, 23 médias, 5 difíceis.

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5 questões de Brasil Império resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 58média

Em 1872, havia mais de 1 milhão de votantes, correspondentes a 13% da população livre. Em 1886, votaram nas eleições parlamentares pouco mais de 100 mil eleitores, ou 0,8% da população total. Houve um corte de quase 90% do eleitorado. O dado é chocante, sobretudo se lembrarmos que a tendência de todos os países europeus da época era na direção de ampliar os direitos políticos. O mais grave é que esse retrocesso foi duradouro. A Proclamação da República não alterou o quadro.

CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 (adaptado).

De acordo com o texto, a participação no processo eleitoral brasileiro após a Reforma de 1881 sofreu uma variação que se explica pela

  1. A

    restrição de gênero.

  2. B

    exclusão de imigrantes.

  3. C

    comprovação de domicílio.

  4. D

    exigência da alfabetização.

  5. E

    obrigatoriedade do sufrágio. 010175AZ25

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Gabarito: D

A Lei Saraiva (Reforma de 1881) criou o voto direto, mas exigiu que o eleitor soubesse ler e escrever. Como a maioria da população era analfabeta, o eleitorado caiu de mais de 1 milhão para cerca de 100 mil. A causa da queda foi a exigência da alfabetização (letra D).

A e B não explicam um corte tão grande. C (domicílio) não foi a mudança central. E está errada: o voto era facultativo, não obrigatório.

Dica: Lei Saraiva = voto direto, renda comprovada e alfabetização, o que reduziu muito o eleitorado.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 64fácil

TEXTO I

Neta de Tomásia, uma escravizada alforriada, Chiquinha Gonzaga foi uma das primeiras mulheres a se destacar na música popular brasileira. Entre suas obras mais famosas estão a marcha Ó abre alas, sucesso nos blocos de Carnaval até hoje, e o tango Gaúcho, além de inúmeras peças musicais para teatro e óperas. Chiquinha também teve uma atuação em defesa dos direitos das mulheres e pelo fim da escravatura.

Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 7 out. 2023 (adaptado).

TEXTO II

Depois da estreia de sua peça Gonzaga, em 1867, que tem como um de seus núcleos dramáticos dois escravizados, pai e filha, separados há muitos anos, Castro Alves escreve talvez o maior conjunto de poemas antiescravistas do Romantismo brasileiro, publicados em 1883 no livro Os escravos, doze anos após a sua morte. Os textos Vozes d’África e Navio negreiro, por exemplo, publicados em folhetos, já em 1878, tiveram enorme repercussão desde a sua circulação, a ponto de Afrânio Coutinho (um importante crítico brasileiro) afirmar ter sido Castro Alves, no que diz respeito à poesia antiescravista, um dos primeiros que o Brasil ouviu.

Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 8 out. 2023 (adaptado).

Os textos indicam a participação de artistas e intelectuais brasileiros em defesa do(a)

  1. A

    ação integralista.

  2. B

    literatura realista.

  3. C

    movimento abolicionista.

  4. D

    política indigenista.

  5. E

    nacionalismo desenvolvimentista.

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Gabarito: C

Chiquinha Gonzaga atuou pelo fim da escravidão e Castro Alves escreveu poemas antiescravistas como Navio negreiro.

Os dois textos mostram artistas e intelectuais defendendo o movimento abolicionista. Alternativa C.

Integralismo (A) é do século XX, realismo (B) não é o caso de Castro Alves (romântico), e indigenismo e nacionalismo desenvolvimentista (D, E) não aparecem.

Dica: abolicionismo envolveu arte, imprensa e política no século XIX.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 47média

Felizes tempos eram esses! As moças iam à missa de madrugada. De dia ninguém as via e se alguma, em dia de festa, queria passear com a avó ou a tia, havia de ir de cadeirinhas. Bem razão têm os nossos velhos de chorar por esses tempos, em que as filhas não sabiam escrever, e por isso não mandavam nem recebiam bilhetinhos.

Novo Correio de Modas, 1853, apud DONEGÁ, A. L. Publicar ficção em meados do século XIX: um estudo das revistas femininas editadas pelos irmãos Laemmert. Campinas: Unicamp, 2013 (adaptado).

Na perspectiva do autor, as tradições e os costumes sociofamiliares sofreram alterações, no século XIX, decorrentes de quais fatores?

  1. A

    Hábitos de leitura e mobilidade regional.

  2. B

    Circulação de impressos e trânsito religioso.

  3. C

    Valorização da língua e imigração estrangeira.

  4. D

    Práticas de letramento e transformação cultural.

  5. E

    Flexibilização do ensino e reformismo pedagógico.

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Gabarito: D

O texto lamenta, com ironia, o tempo em que as moças não sabiam escrever e não trocavam bilhetinhos. Isso mostra que a alfabetização feminina (práticas de letramento) mudou costumes: moças passaram a sair, ler e escrever. Os fatores da mudança são letramento e transformação cultural: D.

A (mobilidade regional), B (trânsito religioso), C (imigração) e E (reformismo pedagógico) não são citados.

Dica: no século XIX, o acesso das mulheres à leitura e à escrita mudou os costumes familiares.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 53fácil

O número cada vez maior de mulheres letradas e interessadas pela literatura e pelas novelas, muitas divulgadas em capítulos, seções, classificadas comumente como folhetim, alçou a um gênero de ficção corrente já em 1840, fazendo parte do florescimento da literatura nacional brasileira, instigando a formação e a ampliação de um público leitor feminino, ávido por novidades, pelo apelo dos folhetins e “narrativas modernas” que encenavam “os dramas e os conflitos de uma mulher em processo de transformação patriarcal e provinciana que, progressivamente, começava a se abrir para modernizar seus costumes”. No Segundo Reinado, as mulheres foram se tornando público determinante na construção da literatura e da imprensa nacional. E não apenas público, porquanto crescerá o número de escritoras que colaboram para isso e emergirá uma imprensa feminina, editada, escrita e dirigida por e para mulheres.

ABRANTES, A. Do álbum de família à vitrine impressa: trajetos de retratos (PB, 1920), Revista Temas em Educação, n. 24, 2015 (adaptado).

O registro das atividades descritas associa a inserção da figura feminina nos espaços de leitura e escrita do Segundo Reinado ao(à)

  1. A

    surgimento de novas práticas culturais.

  2. B

    contestação de antigos hábitos masculinos.

  3. C

    valorização de recentes publicações juvenis.

  4. D

    circulação de variados manuais pedagógicos.

  5. E

    aparecimento de diversas editoras comerciais.

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Gabarito: A

O texto mostra mulheres letradas lendo folhetins, formando um público leitor feminino e depois escrevendo e criando uma imprensa feminina no Segundo Reinado. Era uma novidade na vida cultural: mulheres lendo, escrevendo e editando.

Isso está associado ao surgimento de novas práticas culturais (A).

B (contestação de hábitos masculinos) é mais forte do que o texto diz; C, D e E (publicações juvenis, manuais, editoras) não são citados.

Dica: nas questões de História cultural, procure a mudança de hábitos e costumes descrita.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 85difícil

O movimento sedicioso ocorrido na capitania de Pernambuco, no ano 1817, foi analisado de formas diferentes por dois meios de comunicação daquela época. O Correio Braziliense apontou para o fato de ser “a comoção no Brasil motivada por um descontentamento geral, e não por maquinações de alguns indivíduos”. Já a Gazeta do Rio de Janeiro considerou o movimento como um “pontual desvio de norma, apenas uma ‘mancha’ nas ‘páginas da História Portuguesa’, tão distinta pelos testemunhos de amor e respeito que os vassalos desta nação consagram ao seu soberano”.

JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).

Os fragmentos das matérias jornalísticas sobre o acontecimento, embora com percepções diversas, relacionam-se a um aspecto do processo de independência da colônia luso-americana expresso em dissensões entre

  1. A

    quadros dirigentes em torno da abolição da ordem escravocrata.

  2. B

    grupos regionais acerca da configuração político-territorial.

  3. C

    intelectuais laicos acerca da revogação do domínio eclesiástico.

  4. D

    homens livres em torno da extensão do direito de voto.

  5. E

    elites locais acerca da ordenação do monopólio fundiário.

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Gabarito: B

Em 1817, a Revolução Pernambucana gerou interpretações opostas: o Correio Braziliense via descontentamento geral, e a Gazeta via só um desvio de lealdade ao rei. A disputa envolvia projetos diferentes de organização político-territorial: república regional, autonomia das províncias ou unidade sob o rei. Resposta: grupos regionais acerca da configuração político-territorial (B).

Abolição (A), fim do domínio eclesiástico (C), voto (D) e monopólio fundiário (E) não são o ponto de divergência do texto.

Dica: no período da Independência, o debate foi centralização versus autonomia regional.

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