34 questões oficiais do ENEM sobre Antiguidade e Idade Média, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 13 fáceis, 20 médias, 1 difícil.
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5 questões de Antiguidade e Idade Média resolvidas
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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 69média
A difusão pelos cônegos do ideal apostólico, bem como a influência dos eremitas e dos pregadores errantes que na sua esteira propagavam temas evangélicos, contribuíram para fazer nascer, entre os fiéis, o desejo de se erguerem ao nível espiritual do clero e de obterem a sua salvação, sem que para isso tivessem de renunciar ao seu estado. Pela primeira vez, a Igreja entreabria as portas da graça em benefício da totalidade dos fiéis, colocando, como única condição, a sua partida para o Oriente, a fim de aí lutarem contra os inimigos de Cristo.
VAUCHEZ, A. A espiritualidade da Idade Média Ocidental, séc. VIII-XIII. Lisboa: Estampa, 1995.
Conforme o texto, no imaginário dos fiéis cristãos do período medieval, a salvação era alcançada por meio das
A
palavras escritas.
B
práticas litúrgicas.
C
ações voluntárias.
D
ideias messiânicas.
E
celebrações coletivas.
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Gabarito: C
O texto diz que a Igreja abriu a salvação a todos os fiéis, sem que renunciassem à vida comum, com a condição de partirem para o Oriente e lutarem contra os inimigos de Cristo. Era a Cruzada, uma escolha voluntária de agir. A salvação vinha das ações voluntárias (letra C).
A, B, D e E tratam de textos, liturgias, ideias e festas, que o texto não aponta como caminho para a salvação.
Dica: Cruzadas = indulgência e salvação para quem lutava.
Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 59fácil
As instituições que a Idade Média nos legou são de um valor maior e mais imperecível do que suas catedrais. E a universidade é nitidamente uma instituição medieval — tanto quanto a monarquia constitucional, ou os parlamentos, ou o julgamento por meio do júri. As universidades e os produtos imediatos das suas atividades constituem a grande realização da Idade Média na esfera intelectual.
RASHDALL, H. apud OLIVEIRA, T. Origem e memória das universidades medievais. Varia História, n. 37, jan.-jun. 2007.
De acordo com o texto, o legado das universidades medievais torna-se um relevante patrimônio histórico-cultural por
A
adotar currículo e método padronizado.
B
rejeitar ideologias e costumes orientais.
C
possuir organização e função mercantil.
D
transmitir técnicas e valores ecumênicos.
E
agregar tradição e conhecimento científico.
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Gabarito: E
O texto elogia a universidade como grande instituição medieval, produto da vida intelectual da Idade Média.
Seu valor como patrimônio está em agregar tradição e conhecimento científico. Alternativa E.
O texto não fala de currículo padronizado (A), de rejeição a ideias orientais (B), de função mercantil (C) ou de valores ecumênicos (D).
Dica: responda com o que o texto destaca: universidade = produção de saber e herança intelectual.
Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 74fácil
Tahuantinsuyu — nome do Império Inca em quéchua — era dividido em quatro partes ou suyus: Chinchaysuyu (noroeste do Peru e Equador), Antisuyu (parte amazônica do império), Collasuyu (atual Bolívia) e Condesuyu (costa do Oceano Pacífico) e tinha Cuzco, no atual Peru, como sua capital imperial. Oficialmente, todas as etnias dominadas pelos incas deveriam adotar a língua quéchua, adorar o Sapa Inca e o Sol e pagar taxas em forma de horas de trabalhos periódicos. No entanto, pode-se dizer que o Império Inca era como um mosaico cultural em que vários e diferentes grupos étnicos adoravam o Sapa Inca e o Sol mas, simultaneamente, continuavam a adorar seus deuses locais e também a falar em suas línguas nativas.
MARTINS, C. Os incas e os tahuantinsuyu: apresentação. Disponível em: http://antigo.anphlac.org. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Ao comparar, no texto, a vertente da dominação territorial com os aspectos culturais, os incas tinham uma postura
A
aceitável no que alude aos direitos humanos.
B
admissível no que remete às crenças coloniais.
C
tolerável no que se refere aos regimes tributários.
D
flexível no que diz respeito aos costumes religiosos.
E
compreensível no que concerne às normas laborais.
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Gabarito: D
O texto diz que, oficialmente, os povos dominados deveriam adotar o quéchua, adorar o Sapa Inca e o Sol e pagar tributos em trabalho. Mas, na prática, continuavam a adorar seus deuses locais e a falar suas línguas.
Comparando a dominação territorial (rígida) com os aspectos culturais, os incas eram flexíveis quanto às crenças e costumes religiosos, alternativa D.
A C fala em tributos, mas o contraste do enunciado é com a cultura, não com os impostos. A A e a B tratam de direitos humanos e crenças coloniais, que o texto não aborda.
Dica: leia a pergunta com atenção: ela pede o contraste entre domínio político e liberdade cultural, e o texto traz exatamente isso.
Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 63difícil
Ainda que a fome ocorrida na Itália em 536 tenha origem nos eventos climáticos, suas implicações são tanto políticas quanto econômicas. Nos primeiros séculos da Idade Média, o auxílio aos famintos se inscreve no domínio da gestão pública, mesmo quando a ação de seus agentes é apresentada sob o ângulo da piedade e da caridade individuais, como é o caso da Gália merovíngia. Assim, o fato de que as respostas à fome são mostradas, na Gália, como o fruto de iniciativas pessoais fundadas no imperativo da caridade deriva da natureza das fontes do século VI.
SILVA, M. C. Os agentes públicos e a fome nos primeiros séculos da Idade Média. Varia Historia, n. 60, set.-dez. 2016 (adaptado).
Na conjuntura histórica destacada no texto, o dever de
agir em face da situação de crise apresentada pertencia à
jurisdição
A
da nobreza, proveniente da obrigação de proteção ao campesinato livre.
B
da realeza, decorrente do conceito de governo subjacente à monarquia cristã.
C
dos mosteiros, resultante do caráter fraternal afirmado nas regras monásticas.
D
dos bispados, consequente da participação dos clérigos nos assuntos comunitários.
E
das corporações, procedente do padrão assistencialista previsto nas normas estatutárias.
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Gabarito: B
O texto diz que, nos primeiros séculos da Idade Média, ajudar os famintos era tarefa de gestão pública, mesmo quando apresentada como caridade pessoal. Na Gália merovíngia, quem governava era o rei, com poder baseado na ideia cristã de governo, em que o monarca deve cuidar do povo.
O dever era da realeza, decorrente do conceito de governo da monarquia cristã (B).
Nobreza, mosteiros e bispados (A, C, D) ajudavam, mas o texto aponta o poder público como responsável. Corporações (E) surgiram bem depois.
Dica: no início da Idade Média, o rei cristão tinha o dever de proteger os pobres.
Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 62fácil
Sexto rei sumério (governante entre os séculos XVIII e XVII a.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia em babilônio) foi fundador do I Império Babilônico (correspondente ao atual Iraque), unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos.
Nesse contexto de organização da vida social, as leis contidas no Código citado tinham o sentido de
A
assegurar garantias individuais aos cidadãos livres.
B
tipificar regras referentes aos atos dignos de punição.
C
conceder benefícios de indulto aos prisioneiros de guerra.
D
promover distribuição de terras aos desempregados urbanos.
E
conferir prerrogativas políticas aos descendentes de estrangeiros.
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Gabarito: B
O Código de Hamurabi reunia leis escritas que definiam crimes e as penas correspondentes, como a famosa lei de talião ("olho por olho"). Seu sentido era tipificar regras sobre os atos dignos de punição (B), padronizando a justiça para todos os súditos.
Não previa indulto a prisioneiros de guerra (C), distribuição de terras a desempregados (D) ou direitos políticos a estrangeiros (E). Também não garantia direitos individuais no sentido moderno (A), pois a sociedade era hierarquizada.
Dica: códigos antigos de leis escritas = ordem social e punição de delitos.
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