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Ciências Humanas · Filosofia

Questões de Filosofia medieval e moderna no ENEM

23 questões oficiais do ENEM sobre Filosofia medieval e moderna, de 2010 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 4 fáceis, 18 médias, 1 difícil.

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5 questões de Filosofia medieval e moderna resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 48média

A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade. A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Edunesp, 2003.

No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao

  1. A

    sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento.

  2. B

    campo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais.

  3. C

    domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos.

  4. D

    paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método.

  5. E

    âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas.

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Gabarito: E

Hume diz que a eloquência, no seu ponto mais alto, "deixa pouco lugar à razão" e se dirige "à imaginação e aos afetos", cativando os ouvintes. Ele está descrevendo a eloquência como uma arte de convencer pela emoção, não pela razão.

Isso lembra a crítica de Platão aos sofistas: os sofistas ensinavam a persuadir, a ganhar discussões, sem compromisso com a verdade.

Resposta: E (âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas).

Por que as outras estão erradas: as alternativas A, C e D ligam a eloquência à razão, à lógica ou ao método, o oposto do que Hume diz. A alternativa B fala de verdades absolutas, que não têm relação com o trecho.

Dica: quando um texto opõe razão e emoção na fala, pense em persuasão e retórica, e na velha disputa entre Platão e os sofistas.

Questão 2 · ENEM 2023 · Questão 54média

Eu poderia concluir que a raiva é um pensamento, que estar com raiva é pensar que alguém é detestável, e que esse pensamento, como todos os outros — assim como Descartes o mostrou —, não poderia residir em nenhum fragmento de matéria. A raiva seria, portanto, espírito. Porém, quando me volto para minha própria experiência da raiva, devo confessar que ela não estava fora do meu corpo, mas inexplicavelmente nele.

MERLEAU-PONTY, M. Quinta conversa: o homem visto de fora. São Paulo: Martins Fontes, 1948 (adaptado).

No que se refere ao problema do corpo, a filosofia cartesiana apresenta-se como contraponto ao entendimento expresso no texto por

  1. A

    apresentar uma visão dualista.

  2. B

    confirmar uma tese naturalista.

  3. C

    demonstrar uma premissa realista.

  4. D

    sustentar um argumento idealista.

  5. E

    defender uma posição intencionalista.

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Gabarito: A

Merleau-Ponty diz que a raiva está "inexplicavelmente" no corpo, não separada dele. Ele critica a ideia de Descartes de que pensamento (espírito) não pode estar na matéria.

O contraponto é a filosofia cartesiana, que separa corpo e mente: uma visão dualista (A).

Naturalismo (B), relativismo (C), idealismo (D) e intencionalismo (E) não descrevem a posição de Descartes sobre mente e corpo.

Dica: Descartes = dualismo (res cogitans e res extensa); Merleau-Ponty = unidade corpo-mente.

Questão 3 · ENEM 2020 · Questão 72fácil

Montaigne deu o nome para um novo gênero literário; foi dos primeiros a instituir na literatura moderna um espaço privado, o espaço do “eu”, do texto íntimo. Ele cria um novo processo de escrita filosófica, no qual hesitações, autocríticas, correções entram no próprio texto.

COELHO, M. Montaigne. São Paulo: Publifolha, 2001 (adaptado).

O novo gênero de escrita aludido no texto é o(a)

  1. A

    confissão, que relata experiências de transformação.

  2. B

    ensaio, que expõe concepções subjetivas de um tema.

  3. C

    carta, que comunica informações para um conhecido.

  4. D

    meditação, que propõe preparações para o conhecimento.

  5. E

    diálogo, que discute assuntos com diferentes interlocutores.

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Gabarito: B

O texto descreve um gênero em que o autor expõe seu "eu", com hesitações e autocríticas: o ensaio (B), criado por Montaigne em "Ensaios", que apresenta opiniões subjetivas sobre um tema.

Confissão (A) relata transformação espiritual; carta (C) se dirige a alguém; meditação (D) prepara o conhecimento (Descartes); diálogo (E) tem vários interlocutores. Nenhum nomeia o gênero de Montaigne.

Dica: Montaigne = ensaio e subjetividade, no Renascimento.

Questão 4 · ENEM 2019 · Questão 48difícil

Imagem da questão

Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado

pela

geografia,

flora

e

fauna

da região sul-americana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes.

ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado).

A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica:

  1. A

    Relativismo cognitivo.

  2. B

    Materialismo dialético.

  3. C

    Racionalismo cartesiano.

  4. D

    Pluralismo epistemológico.

  5. E

    Existencialismo fenomenológico.

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Gabarito: C

O texto critica a visão de Humboldt de que os sul-americanos eram "mendigos sobre um saco de ouro", ou seja, a natureza como recurso a ser explorado. Essa relação sujeito-objeto, em que o humano domina a natureza, vem do racionalismo cartesiano (C), que separa o sujeito pensante e a natureza como objeto.

A, B, D e E são correntes que não sustentam essa visão utilitária.

Dica: Descartes e a ideia de "senhores e possuidores da natureza".

Questão 5 · ENEM 2018 · Questão 51média

Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.

TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002.

O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de

Aquino caracterizada por

  1. A

    reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.

  2. B

    sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.

  3. C

    explicar as virtudes teologais pela demonstração.

  4. D

    flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.

  5. E

    justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.

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Gabarito: B

O texto traz o argumento ontológico: se entendemos "Deus" como algo maior que o qual nada se pode pensar, ele deve existir também na realidade, pois existir é maior do que existir só no pensamento. É uma prova baseada só na razão.

O objetivo é provar com a razão uma doutrina que já é de fé. Isso é sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé (B), a marca da escolástica.

A fala em heréticos, o que não está no texto. E fala em crença livre de dogmas, o oposto do que Tomás faz.

Dica: escolástica significa conciliar fé e razão. A razão serve para justificar a fé.

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