Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 50média
O direito não é a justiça. O direito é o elemento do cálculo, é justo que haja um direito, mas a justiça é incalculável, ela exige que se calcule o incalculável; e as experiências aporéticas são experiências tão improváveis quanto necessárias da justiça, isto é, são momentos em que a decisão entre o justo e o injusto nunca é garantida por uma regra.
DERRIDA, J. Força de lei. São Paulo: Martins Fontes, 2010 (adaptado).
010175AZ23
De acordo com o texto, ainda que estejam em desconformidade
com o ordenamento jurídico, são exemplos de ação justa:
- A
Casos de desobediência civil.
- B
Repressões do aparato estatal.
- C
Conflitos de natureza intercontinental.
- D
Manifestações do movimento sindical.
- E
Mobilizações de agremiações estudantis.
Ver gabarito e resolução
Derrida separa direito (as leis, que são calculáveis, previsíveis) de justiça (que é "incalculável" e não se garante por uma regra). Ou seja, uma ação pode ser justa mesmo estando fora da lei.
O exemplo clássico disso é a desobediência civil: descumprir uma lei considerada injusta, de forma pública e pacífica, em nome da justiça. Pense em Gandhi, Martin Luther King ou Rosa Parks.
Resposta: A.
Por que as outras não servem: repressão do Estado é uso da força, não uma ação justa contra a lei; manifestações sindicais e estudantis são, em geral, legais (estão dentro do ordenamento), então não exemplificam ação justa "em desconformidade" com a lei; conflitos intercontinentais não têm relação com o texto.
Dica: "justo, mas ilegal" no ENEM quase sempre aponta para desobediência civil.