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Ciências Humanas · Filosofia

Questões de Ética e filosofia política no ENEM

35 questões oficiais do ENEM sobre Ética e filosofia política, de 2010 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 8 fáceis, 23 médias, 4 difíceis.

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5 questões de Ética e filosofia política resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 50média

O direito não é a justiça. O direito é o elemento do cálculo, é justo que haja um direito, mas a justiça é incalculável, ela exige que se calcule o incalculável; e as experiências aporéticas são experiências tão improváveis quanto necessárias da justiça, isto é, são momentos em que a decisão entre o justo e o injusto nunca é garantida por uma regra.

DERRIDA, J. Força de lei. São Paulo: Martins Fontes, 2010 (adaptado).

010175AZ23

De acordo com o texto, ainda que estejam em desconformidade

com o ordenamento jurídico, são exemplos de ação justa:

  1. A

    Casos de desobediência civil.

  2. B

    Repressões do aparato estatal.

  3. C

    Conflitos de natureza intercontinental.

  4. D

    Manifestações do movimento sindical.

  5. E

    Mobilizações de agremiações estudantis.

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Gabarito: A

Derrida separa direito (as leis, que são calculáveis, previsíveis) de justiça (que é "incalculável" e não se garante por uma regra). Ou seja, uma ação pode ser justa mesmo estando fora da lei.

O exemplo clássico disso é a desobediência civil: descumprir uma lei considerada injusta, de forma pública e pacífica, em nome da justiça. Pense em Gandhi, Martin Luther King ou Rosa Parks.

Resposta: A.

Por que as outras não servem: repressão do Estado é uso da força, não uma ação justa contra a lei; manifestações sindicais e estudantis são, em geral, legais (estão dentro do ordenamento), então não exemplificam ação justa "em desconformidade" com a lei; conflitos intercontinentais não têm relação com o texto.

Dica: "justo, mas ilegal" no ENEM quase sempre aponta para desobediência civil.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 54média

Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte.

KUHNEN, T. Resenha de The Power and Ethics of Knowing, de Miranda Fricker. Revista Princípios, n. 33, 2013.

Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça

  1. A

    estética, que normatiza os padrões corporais.

  2. B

    sensorial, que privilegia as habilidades visuais.

  3. C

    afetiva, que impede as expressões emocionais.

  4. D

    epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.

  5. E

    econômica, que perpetua as desigualdades materiais.

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Gabarito: D

O texto diz que grupos dominantes têm mais credibilidade e podem desacreditar testemunhos de outros grupos por preconceito de identidade (gênero, raça).

O falante tem seu conhecimento menosprezado. Trata-se de injustiça epistêmica, ligada ao conhecimento e à troca de informações. Alternativa D.

Não há tema estético, sensorial, afetivo ou econômico no trecho.

Dica: injustiça epistêmica (Fricker) é quando alguém é desacreditado como fonte de conhecimento por causa de preconceito.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 52média

TEXTO I

Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no meu mover-me no mundo e, se careço de responsabilidade, não posso falar em ética.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

TEXTO II

Paulo Freire construiu uma pedagogia da esperança.

Na sua concepção, a história não é algo pronto e acabado.

As estruturas de opressão e as desigualdades, apesar

de serem naturalizadas, são sócio e historicamente

construídas. Daí a importância de os educandos tomarem

consciência da sua realidade para, assim, transformá-la.

DEMARCHI, J. L. Paulo Freire. Disponível em: https://diplomatique.org.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

Com base no conceito de ética pedagógica presente nos

textos, os educandos tornam-se responsáveis pela

  1. A

    participação sociopolítica.

  2. B

    definição estético-cultural.

  3. C

    competição econômica local.

  4. D

    manutenção do sistema escolar.

  5. E

    capacitação de mobilidade individual.

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Gabarito: A

Freire diz que somos presença consciente no mundo e, por isso, responsáveis eticamente por nossos atos. O Texto II acrescenta que a realidade pode ser transformada quando os educandos tomam consciência dela.

Ser responsável por transformar a realidade significa participação sociopolítica (A).

B, C, D e E tratam de cultura, competição, manutenção do sistema escolar e mobilidade individual, o oposto da emancipação coletiva defendida por Freire.

Dica: pedagogia de Freire = educação crítica, consciência e transformação social.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 47média

Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político. E tudo que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá, talvez, verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.

ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

No trecho, a filósofa Hannah Arendt mostra a importância da linguagem no processo de

  1. A

    entendimento da cultura.

  2. B

    aumento da criatividade.

  3. C

    percepção da individualidade.

  4. D

    melhoria da técnica.

  5. E

    construção da sociabilidade.

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Gabarito: E

Arendt diz que o discurso faz do homem um ser político e que os homens, no plural, só experimentam o sentido das coisas ao poder falar e ser inteligíveis entre si. A linguagem é, portanto, o que permite o convívio com os outros.

Logo, ela é importante para a construção da sociabilidade (E).

C (individualidade) é tentadora, mas Arendt fala do homem no plural. A, B e D não aparecem.

Dica: para Arendt, política = ação e fala em conjunto no espaço público.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 69média

A sociedade como um sistema justo de cooperação social consiste em uma das ideias familiares fundamentais, que dá estrutura e organização à justiça como equidade. A cooperação social guia-se por regras e procedimentos publicamente reconhecidos e aceitos por aqueles que cooperam como sendo apropriados para regular a sua conduta. Diz-se que a cooperação é justa porque seus termos são tais que todos os participantes podem razoavelmente aceitar, desde que todos os demais também o aceitem.

FERES JR., J.; POGREBINSCHI, T. Teoria política contemporânea: uma introdução. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

No contexto do pensamento político, a ideia apresentada mostra-se consoante o(a)

  1. A

    ideal republicano de governo.

  2. B

    corrente tripartite dos poderes.

  3. C

    posicionamento crítico do socialismo.

  4. D

    legitimidade do absolutismo monárquico.

  5. E

    entendimento do contratualismo moderno.

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Gabarito: E

O trecho (Rawls) fala de sociedade como sistema justo de cooperação, com regras que todos aceitam livremente. Essa ideia de acordo entre os participantes é a base do contratualismo moderno (E), de Hobbes, Locke e Rousseau.

O republicanismo (A) e a separação de poderes (B) não se baseiam nesse consenso; o socialismo (C) o critica; e o absolutismo (D) tem poder que não depende de acordo.

Dica: pacto social e consentimento = contratualismo.

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