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Ciências Humanas · Filosofia

Questões de Filosofia contemporânea no ENEM

31 questões oficiais do ENEM sobre Filosofia contemporânea, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 2 fáceis, 19 médias, 10 difíceis.

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5 questões de Filosofia contemporânea resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 55média

A “invenção” dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, que se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros e esboçam aos poucos a fachada de um método geral. Encontramo-los em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde, nas escolas primárias, no espaço hospitalar e na organização militar.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2011.

O texto indica o seguinte aspecto da disciplina como ferramenta política:

  1. A

    Expansão das técnicas de suplício.

  2. B

    Judicialização das relações de poder.

  3. C

    Dissolução das distinções de nobreza.

  4. D

    Capilarização das práticas de controle.

  5. E

    Espetacularização das medidas de penitência.

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Gabarito: D

Foucault diz que a disciplina surgiu de processos pequenos e dispersos, que aparecem em escolas, hospitais e quartéis. Ou seja, o controle se espalha por muitas instituições, como uma rede. Essa é a capilarização das práticas de controle (letra D).

Suplício (A) e espetáculo da pena (E) são do poder antigo, que Foucault contrasta com a disciplina. B e C não aparecem.

Dica: em Foucault, poder disciplinar = vigilância e normas espalhadas pela sociedade.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 61média

Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito mesmo antes da recorrência dele, que nunca envelheceria. Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.

GREEN, J. A culpa é das estrelas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.

O texto apresenta uma reflexão da personagem acerca de um problema característico da filosofia contemporânea, que trata da(s)

  1. A

    implicações éticas.

  2. B

    finitude humana.

  3. C

    limitações da linguagem.

  4. D

    pressuposição existencial.

  5. E

    objetividade do conhecimento.

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Gabarito: B

A personagem sabe que não vai envelhecer e sente falta do futuro. Ela reflete sobre não poder ver o oceano de novo e sobre sonhos nunca saciados.

O problema é o limite da vida e a certeza da morte: a finitude humana, tema central do existencialismo e da filosofia contemporânea. Alternativa B.

Não há questão ética, de linguagem ou de objetividade do conhecimento. A D (pressuposição existencial) é vaga e não é o foco.

Dica: finitude e consciência da morte são temas típicos do existencialismo.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 55média

A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado para se pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias destinadas à diversão que essa pessoa não pode mais perceber outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo de trabalho.

No texto, o tempo livre é concebido como

ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

  1. A

    consumo de produtos culturais elaborados no mesmo sistema produtivo do capitalismo.

  2. B

    forma de realizar as diversas potencialidades da natureza humana.

  3. C

    alternativa para equilibrar tensões psicológicas do dia a dia.

  4. D

    promoção da satisfação de necessidades artificiais.

  5. E

    mecanismo de organização do ócio e do prazer.

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Gabarito: A

Adorno e Horkheimer dizem que a diversão prolonga o trabalho no capitalismo tardio: o lazer usa produtos fabricados pelo mesmo sistema produtivo, que reproduzem o próprio trabalho mecânico. O tempo livre é, portanto, consumo de produtos culturais elaborados no mesmo sistema do capitalismo: A.

B e E apresentam o lazer como libertação ou organização do prazer. C parece próxima (descanso para enfrentar o trabalho), mas deixa de lado a crítica à indústria cultural. D é parcial.

Dica: indústria cultural = produção em série de cultura como mercadoria.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 57média

O leproso é visto dentro de uma prática da rejeição, do exílio-cerca; deixa-se que se perca lá dentro como numa massa que não tem muita importância diferenciar; os pestilentos são considerados num policiamento tático meticuloso onde as diferenciações individuais são os efeitos limitantes de um poder que se multiplica, se articula e se subdivide. O grande fechamento por um lado; o bom treinamento por outro. A lepra e sua divisão; a peste e seus recortes. Uma é marcada; a outra, analisada e repartida. O exílio do leproso e a prisão da peste não trazem consigo o mesmo sonho político.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

Os modelos autoritários descritos no texto apontam para um sistema de controle que se baseia no(a):

  1. A

    Formação de sociedade disciplinar.

  2. B

    Flexibilização do regramento social.

  3. C

    Banimento da autoridade repressora.

  4. D

    Condenação da degradação humana.

  5. E

    Hierarquização da burocracia estatal.

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Gabarito: A

Foucault compara a lepra (exclusão do doente) com a peste (vigilância, registro e divisão de cada indivíduo). O segundo modelo é de controle minucioso e treinamento dos corpos, base do que ele chama de poder disciplinar.

Os modelos apontam para a formação de uma sociedade disciplinar (A).

B e C dizem o contrário (flexibilizar e banir autoridade). D e E não aparecem.

Dica: Foucault, Vigiar e Punir = sociedade disciplinar, vigilância e normalização.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 55média

Será que as coisas lhe pareceriam diferentes se, de fato, todas elas existissem apenas na sua mente — se tudo o que você julgasse ser o mundo externo real fosse apenas um sonho ou alucinação gigante, de que você jamais fosse despertar? Se assim fosse, então é claro que você nunca poderia despertar, como faz quando sonha, pois significaria que não há mundo “real” no qual despertar. Logo, não seria exatamente igual a um sonho ou alucinação normal.

NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

O texto confere visibilidade a uma doutrina filosófica contemporânea conhecida como:

  1. A

    Personalismo, que vincula a realidade circundante aos domínios do pessoal.

  2. B

    Falsificacionismo, que estabelece ciclos de problemas para refutar uma conjectura.

  3. C

    Falibilismo, que rejeita mecanismos mentais para sustentar uma crença inequívoca.

  4. D

    Idealismo, que nega a existência de objetos independentemente do trabalho cognoscente.

  5. E

    Solipsismo, que reconhece limitações cognitivas para compreender uma experiência compartilhada.

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Gabarito: E

O texto propõe: e se tudo o que você julga ser o mundo externo existisse só na sua mente? Essa é a ideia de que só a própria mente é certa, e nada garante que exista um mundo compartilhado. Isso é o solipsismo, que reconhece nossa limitação para provar uma experiência partilhada (E).

O idealismo (D) é tentador, mas diz que a realidade depende do pensamento em geral, e não se resume a só a minha mente. O falsificacionismo, o falibilismo e o personalismo (A, B, C) não correspondem ao exemplo.

Dica: solipsismo é a tese de que só existe a própria mente, ou de que só ela pode ser conhecida com certeza.

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