24 questões oficiais do ENEM sobre Filosofia antiga, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 6 fáceis, 18 médias.
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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 61fácil
O corpo de cidadãos é o poder supremo dos Estados. A supremacia pode residir ou num homem, ou na minoria, ou em todos. Sempre que o Um, ou a Minoria, ou Todos governam, tendo em vista o bem-estar comum, essas constituições são justas; mas se procuram apenas o benefício de uma das partes, seja ela o Um, a Minoria ou Todos, estabelece-se um desvio.
ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
No excerto encontra-se a base da teoria clássica das três formas de governo representadas pela
A
tirania, oligarquia e república.
B
burocracia, autarquia e império.
C
ditadura, autocracia e anarquia.
D
plutocracia, tecnocracia e demagogia.
E
monarquia, aristocracia e democracia.
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Gabarito: E
Aristóteles diz que o poder pode estar com um (monarquia), poucos (aristocracia) ou todos (democracia, chamada por ele de politeia). Quando governam pelo bem comum, as formas são justas. A alternativa com essas três formas é a E.
Tirania, oligarquia e democracia degenerada são os desvios. As outras alternativas misturam conceitos que não estão no texto.
Dica: formas justas: monarquia, aristocracia, politeia. Desvios: tirania, oligarquia, demagogia.
Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 55média
A alma funciona no meu corpo de maneira maravilhosa. Nele se aloja, certamente, mas sabe bem dele escapar: escapa para ver as coisas através da janela dos meus olhos, escapa para sonhar quando durmo, para sobreviver quando morro. Minha alma durará muito tempo e mais que muito tempo, quando meu corpo vier a apodrecer. Viva minha alma! É meu corpo luminoso, purificado, virtuoso, ágil, móvel, tépido, viçoso; é meu corpo liso, castrado, arredondado como uma bolha de sabão.
FOUCAULT, M. O corpo utópico, as heterotopias. São Paulo: Edições N-1, 2013.
Esse texto reforça uma concepção metafísica clássica que remete a um(a)
A
pressuposto lógico.
B
pensamento dicotômico.
C
contemplação da natureza.
D
raciocínio argumentativo.
E
crítica à individualidade.
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Gabarito: B
O autor separa alma e corpo: a alma escapa, sobrevive à morte e é pura, enquanto o corpo apodrece.
Isso retoma a visão clássica, vinda de Platão, que divide a realidade em duas partes opostas, alma e corpo. É um pensamento dicotômico (dualismo). Alternativa B.
Não é crítica à individualidade (E), nem trata de contemplação da natureza (C) ou lógica (A, D).
Dica: dualismo = corpo e alma como realidades separadas, ideia clássica na filosofia.
Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 90média
Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as cousas a fraseologia, a casca, a ornamentação.
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
A descrição crítica do personagem de Machado de Assis assemelha-se às características dos sofistas, contestados pelos filósofos gregos da Antiguidade, porque se mostra alinhada à
A
elaboração conceitual de entendimentos.
B
utilização persuasiva do discurso.
C
narração alegórica dos rapsodos.
D
investigação empírica da physis.
E
expressão pictográfica da pólis.
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Gabarito: B
Brás Cubas diz que aprendeu só as fórmulas, a casca e a ornamentação das coisas, para usar na conversa. Ele usa frases bonitas sem profundidade.
Os sofistas eram criticados por Sócrates e Platão por ensinar a arte de convencer, a retórica, sem se preocupar com a verdade. Então a semelhança está na utilização persuasiva do discurso. Alternativa B.
A A (conceitos) é o método socrático. A D (physis) lembra os pré-socráticos. C e E não têm relação com o texto.
Dica: sofistas = retórica e persuasão; Sócrates e Platão = busca da verdade e do conceito.
Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 80média
Advento da Polis, nascimento da filosofia: entre as duas ordens de fenômenos, os vínculos são demasiado estreitos para que o pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais próprias da cidade grega. Assim recolocada na história, a filosofia despoja-se desse caráter de revelação absoluta que às vezes lhe foi atribuído, saudando, na jovem ciência dos jônios, a razão intemporal que veio encarnar-se no Tempo. A escola de Mileto não viu nascer a Razão; ela construiu uma Razão, uma primeira forma de racionalidade. Essa razão grega não é a razão experimental da ciência contemporânea.
VERNANT, J. P. Origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 2002.
Os vínculos entre os fenômenos indicados no trecho foram fortalecidos pelo surgimento de uma categoria de pensadores, a saber:
A
Os epicuristas, envolvidos com o ideal de vida feliz.
B
Os estoicos, dedicados à superação dos infortúnios.
C
Os sofistas, comprometidos com o ensino da retórica.
D
Os peripatéticos, empenhados na dinâmica do ensino.
E
Os poetas rapsodos, responsáveis pela narrativa do mito.
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Gabarito: C
O texto liga o nascimento da filosofia ao surgimento da polis, a cidade grega, em que o debate público e a razão ganham espaço. Os pensadores que reforçaram essa relação com a vida política e a cidade foram os sofistas, que ensinavam retórica (arte de argumentar) aos cidadãos: C.
Epicuristas (A) e estoicos (B) são do período helenístico, posteriores e focados na felicidade e na superação dos infortúnios. Peripatéticos (D) são seguidores de Aristóteles. Os rapsodos (E) transmitiam o mito, que a filosofia veio superar.
Dica: sofistas = professores de retórica na pólis democrática.
Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 77média
Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhe parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB,1988.
No fragmento, Aristóteles promove uma reflexão que
associa dois elementos essenciais à discussão sobre a
vida em comunidade, a saber:
A
Ética e política, pois conduzem à eudaimonia.
B
Retórica e linguagem, pois cuidam dos discursos na ágora.
C
Metafísica e ontologia, pois tratam da filosofia primeira.
D
Democracia e sociedade, pois se referem a relações sociais.
E
Geração e corrupção, pois abarcam o campo da physis.
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Gabarito: A
Aristóteles afirma que toda comunidade (a cidade) visa a um bem, e a mais importante visa ao maior bem. Para ele, esse bem supremo é a felicidade ou vida boa (eudaimonia), alcançada pela vida virtuosa (ética) na pólis (política). Resposta: ética e política (A).
Retórica, metafísica, democracia e geração e corrupção são conceitos que o fragmento não trata; ele fala de bem e comunidade.
Dica: em Aristóteles, ética e política são ligadas: o homem é animal político e busca a eudaimonia.
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