treinamento 101.

Questões de Filosofia do ENEM

113 questões oficiais de Filosofia do ENEM, de 2009 a 2025, organizadas por assunto e todas com resolução comentada.

Treine Filosofia com 113 questões do ENEM

Monte um treino só com este assunto, veja a resolução depois de cada resposta e acompanhe seus acertos. Grátis: basta criar uma conta com o seu e-mail.

Treinar Filosofia

Assuntos de Filosofia

Exemplos de questões de Filosofia

Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 48média

A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade. A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Edunesp, 2003.

No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao

  1. A

    sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento.

  2. B

    campo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais.

  3. C

    domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos.

  4. D

    paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método.

  5. E

    âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

Hume diz que a eloquência, no seu ponto mais alto, "deixa pouco lugar à razão" e se dirige "à imaginação e aos afetos", cativando os ouvintes. Ele está descrevendo a eloquência como uma arte de convencer pela emoção, não pela razão.

Isso lembra a crítica de Platão aos sofistas: os sofistas ensinavam a persuadir, a ganhar discussões, sem compromisso com a verdade.

Resposta: E (âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas).

Por que as outras estão erradas: as alternativas A, C e D ligam a eloquência à razão, à lógica ou ao método, o oposto do que Hume diz. A alternativa B fala de verdades absolutas, que não têm relação com o trecho.

Dica: quando um texto opõe razão e emoção na fala, pense em persuasão e retórica, e na velha disputa entre Platão e os sofistas.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 54média

Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte.

KUHNEN, T. Resenha de The Power and Ethics of Knowing, de Miranda Fricker. Revista Princípios, n. 33, 2013.

Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça

  1. A

    estética, que normatiza os padrões corporais.

  2. B

    sensorial, que privilegia as habilidades visuais.

  3. C

    afetiva, que impede as expressões emocionais.

  4. D

    epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.

  5. E

    econômica, que perpetua as desigualdades materiais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: D

O texto diz que grupos dominantes têm mais credibilidade e podem desacreditar testemunhos de outros grupos por preconceito de identidade (gênero, raça).

O falante tem seu conhecimento menosprezado. Trata-se de injustiça epistêmica, ligada ao conhecimento e à troca de informações. Alternativa D.

Não há tema estético, sensorial, afetivo ou econômico no trecho.

Dica: injustiça epistêmica (Fricker) é quando alguém é desacreditado como fonte de conhecimento por causa de preconceito.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 52média

TEXTO I

Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no meu mover-me no mundo e, se careço de responsabilidade, não posso falar em ética.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

TEXTO II

Paulo Freire construiu uma pedagogia da esperança.

Na sua concepção, a história não é algo pronto e acabado.

As estruturas de opressão e as desigualdades, apesar

de serem naturalizadas, são sócio e historicamente

construídas. Daí a importância de os educandos tomarem

consciência da sua realidade para, assim, transformá-la.

DEMARCHI, J. L. Paulo Freire. Disponível em: https://diplomatique.org.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

Com base no conceito de ética pedagógica presente nos

textos, os educandos tornam-se responsáveis pela

  1. A

    participação sociopolítica.

  2. B

    definição estético-cultural.

  3. C

    competição econômica local.

  4. D

    manutenção do sistema escolar.

  5. E

    capacitação de mobilidade individual.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

Freire diz que somos presença consciente no mundo e, por isso, responsáveis eticamente por nossos atos. O Texto II acrescenta que a realidade pode ser transformada quando os educandos tomam consciência dela.

Ser responsável por transformar a realidade significa participação sociopolítica (A).

B, C, D e E tratam de cultura, competição, manutenção do sistema escolar e mobilidade individual, o oposto da emancipação coletiva defendida por Freire.

Dica: pedagogia de Freire = educação crítica, consciência e transformação social.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 47média

Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político. E tudo que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá, talvez, verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.

ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

No trecho, a filósofa Hannah Arendt mostra a importância da linguagem no processo de

  1. A

    entendimento da cultura.

  2. B

    aumento da criatividade.

  3. C

    percepção da individualidade.

  4. D

    melhoria da técnica.

  5. E

    construção da sociabilidade.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

Arendt diz que o discurso faz do homem um ser político e que os homens, no plural, só experimentam o sentido das coisas ao poder falar e ser inteligíveis entre si. A linguagem é, portanto, o que permite o convívio com os outros.

Logo, ela é importante para a construção da sociabilidade (E).

C (individualidade) é tentadora, mas Arendt fala do homem no plural. A, B e D não aparecem.

Dica: para Arendt, política = ação e fala em conjunto no espaço público.