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Ciências Humanas · Sociologia

Questões de Cultura, identidade e diversidade no ENEM

56 questões oficiais do ENEM sobre Cultura, identidade e diversidade, de 2010 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 18 fáceis, 37 médias, 1 difícil.

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5 questões de Cultura, identidade e diversidade resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 53média

TEXTO I

A partir do século IV, com os imperadores ditos cristãos, o teatro e a dança foram condenados. O batismo era recusado aos que atuavam no circo ou na pantomima. E em 398, no Concílio de Cartago, os que iam ao teatro nos dias santos foram excomungados.

DINIZ, T.; SANTOS, G. História da dança. Disponível em: www.uel.br. Acesso em: 18 out. 2023.

TEXTO II

A dança no ato litúrgico cumpre tanto um papel de adoração quanto mercadológico. Não à toa há aceitação, expansão e investimento nessa prática percebida massivamente pela ampla divulgação principalmente nas redes sociais. A expansão e ampliação por via de festivais, aulas, cursos, palestras etc. consolida a criação de um mercado específico para esse público.

SANTOS, Z. Dança gospel. Salvador: UFBA, 2021.

A percepção sobre a dança e a cultura corporal apresenta aspectos relacionados, respectivamente, a

  1. A

    segregação social e intolerância eclesiástica.

  2. B

    rituais eucarísticos e sacramentos da Igreja.

  3. C

    transe individual e progresso intelectual.

  4. D

    penitência pessoal e juramento coletivo.

  5. E

    dogmatismo religioso e adesão de fiéis.

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Gabarito: E

O texto I mostra a Igreja do século IV condenando teatro e dança e excomungando os fiéis que fossem a eles: dogmatismo religioso. O texto II mostra a dança dentro do culto atual, com adesão de público e criação de mercado: adesão de fiéis. A alternativa que reúne as duas ideias é a E.

A e B falam de segregação ou sacramentos, que não são o foco. C e D não se ligam aos textos.

Dica: a questão pede relação "respectivamente": leia cada texto e associe na ordem.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 56média

No primeiro dia, foi colocada uma panela de barro no centro do barracão, a qual representava o espírito do morto presente na sala. Aqueles que dançavam depositavam moedas ao passarem junto dela e, ao seu redor, milho branco, mel, água, acaçás, cachaça. No segundo dia, os ogãs, antes de iniciar a cerimônia, caminharam pelo corredor formado pelas casas, batendo com longas varas de bambus nos seus beirais, até alcançarem o portão de entrada. No terceiro dia, quatro pessoas, as mais influentes do culto, carregaram um lençol, que aparentemente continha um corpo em seu interior. No entanto, esse corpo era formado por folhas verdes de plantas, que foram derramadas sobre uma pessoa.

MANZOCHI, H. M. Axexe, um rito de passagem. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, n. 5, 1995 (adaptado).

O ritual brasileiro apresentado no texto representa, para seus adeptos, a

  1. A

    manutenção de uma memória coletiva.

  2. B

    contestação de uma identidade étnica.

  3. C

    imolação de uma divindade africana.

  4. D

    legitimação de uma prática pagã.

  5. E

    promissão de uma revolta social.

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Gabarito: A

O texto descreve o axexé, ritual funerário do candomblé, com objetos, danças e participação coletiva.

Para os adeptos, o rito mantém viva a memória do morto e da comunidade, ou seja, a manutenção de uma memória coletiva. Alternativa A.

Não há contestação de identidade (B), sacrifício de divindade (C), "prática pagã" a legitimar (D) ou revolta social (E).

Dica: rituais religiosos de matriz africana preservam memória, tradição e identidade do grupo.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 46média

Imagem da questão

Fotografia da avó bordada SCARELI, G. A máquina de costura e os fios da memória. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, n. 18, maio-ago. 2021.

A definição de Sertão descrita no bordado associa esse recorte espacial a

  1. A

    percursos e roteiros turísticos.

  2. B

    trajetos e movimentos holísticos.

  3. C

    vivências e itinerários socioafetivos.

  4. D

    fronteiras e demarcações territoriais.

  5. E

    profissões e interesses econômicos.

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Gabarito: C

O bordado diz: "Sertão é a avó bordando caminhos com linhas coloridas". O sertão aparece ligado à memória e à afetividade (a avó, o bordado, os caminhos de vida), não a uma região apenas física.

Portanto, o espaço se associa a vivências e itinerários socioafetivos (C).

A (turismo), B (movimentos holísticos), D (fronteiras territoriais) e E (interesses econômicos) não aparecem na imagem; ela trata de lembrança e relação afetiva.

Dica: lugar e território também são construídos por memórias e afetos.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 48fácil

Eu estava pagando o sapateiro e conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa árvore. O guarda civil é branco. E há certos brancos que transforma preto em bode expiatório. Quem sabe se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos no regime da chibata?

JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.

O texto, que guarda a grafia original da autora, expõe uma característica da sociedade brasileira, que é o(a):

  1. A

    Racismo estrutural.

  2. B

    Desemprego latente.

  3. C

    Concentração de renda.

  4. D

    Exclusão informacional.

  5. E

    Precariedade da educação.

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Gabarito: A

Carolina de Jesus relata um guarda branco que espancou um homem negro e o amarrou a uma árvore, e lembra que ainda vivemos "em regime de chibata" mesmo após o fim da escravidão. Ela mostra que a discriminação racial está embutida nas práticas da sociedade e das instituições.

Isso é o racismo estrutural (A).

B, C, D e E (desemprego, renda, informação, educação) existem na obra, mas não são o tema do trecho.

Dica: racismo estrutural = discriminação presente nas instituições e relações cotidianas, herdada da escravidão.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 66fácil

Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia. O abrasileiramento de termos franceses deu origem, por exemplo, ao saruê (soirée — reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão), anarriê (en arrière — para trás) e anavã (en avant — para frente).

Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 6 jul. 2015.

A característica apresentada dessa manifestação popular resulta do seguinte processo socio-histórico:

  1. A

    Massificação da arte erudita.

  2. B

    Rejeição de hábitos elitistas.

  3. C

    Laicização dos rituais religiosos.

  4. D

    Restauração dos costumes antigos.

  5. E

    Apropriação de práticas estrangeiras.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

O texto mostra que termos franceses (en avant, en arrière, soirée) foram abrasileirados na quadrilha. A dança veio da França e foi incorporada à cultura popular brasileira, com mudanças. Trata-se de apropriação de práticas estrangeiras (E).

Não é massificação da arte erudita (A), rejeição de hábitos elitistas (B), laicização de rituais (C) nem restauração de costumes antigos (D).

Dica: a cultura popular se forma por trocas e reapropriações de influências externas (hibridismo cultural).

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