treinamento 101.

Linguagens · Literatura

Questões de Escolas literárias no ENEM

20 questões oficiais do ENEM sobre Escolas literárias, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 2 fáceis, 14 médias, 4 difíceis.

Treine Escolas literárias com 20 questões do ENEM

Monte um treino só com este assunto, veja a resolução depois de cada resposta e acompanhe seus acertos. Grátis: basta criar uma conta com o seu e-mail.

Treinar Escolas literárias

5 questões de Escolas literárias resolvidas

Tente responder antes de abrir a resolução. No treino, você responde, vê a correção na hora e o seu progresso fica salvo.

Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 11média

— Vejo, disse ele com algum acanhamento, que o doutor não é nenhum pé-rapado, mas nunca é bom facilitar... Minha filha Nocência fez 18 anos pelo Natal, e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos, mas bonita e boa deveras... Coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões. [...]

— Ora muito que bem, continuou Pereira caindo aos poucos na habitual garrulice, quando vi a menina tomar corpo, tratei logo de casá-la.

— Ah! é casada? perguntou Cirino.

— Isto é, é e não é. A coisa está apalavrada. Por aqui costuma labutar no costeio do gado para São Paulo um homem de mãocheia, que talvez o sr. conheça... o Manecão Doca...

— Não, respondeu Cirino abanando a cabeça.

— Pois isso é um homem às direitas, desempenado e trabucador como ele só... fura estes sertões todos e vem tangendo pontes de gado que metem pasmo. Também dizem que tem bichado muito e ajuntado cobre grosso, o que é possível, porque não é gastador nem dado a mulheres. Uma feita que estava aqui de pousada... olhe, mesmo neste lugar onde estava mecê inda agorinha, falei-lhe em casamento... isto é, dei-lhe uns toques... porque os pais devem tomar isso a si para bem de suas famílias; não acha?

— Boa dúvida, aprovou Cirino, dou-lhe toda a razão; era do seu dever.

TAUNAY, A. d’E. Inocência. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 29 fev. 2024.

Nesse trecho, ao se referir à sua filha, o pai de Inocência reproduz os ideais românticos, presentes na

  1. A

    valorização do ambiente rural na formação moral da mulher.

  2. B

    figura decorativa da mulher ante o protagonismo masculino.

  3. C

    equivalência de origem social para a harmonia do casal.

  4. D

    importância do dote como condição para o casamento.

  5. E

    aura de mistério sobre a identidade da jovem.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B

O pai conta que "tratou logo de casá-la" e já deixou o casamento apalavrado com Manecão Doca, sem consultar a filha. Ela é apenas um objeto de acordos entre homens, sem voz. Isso reproduz o ideal romântico da mulher como figura decorativa, diante do protagonismo masculino. Alternativa B.

  • A: não se trata do ambiente rural.
  • C e D: não se fala de origem social nem de dote.
  • E: a identidade dela é dita abertamente.

Dica: em Inocência (Romantismo sertanejo), a mulher aparece como idealizada e submissa à vontade do pai.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 35média

— Eu lhe juro, Aurélia. Estes lábios nunca tocaram a face de outra mulher, que não fosse minha mãe. Meu primeiro beijo de amor, guardei-o para minha esposa, para ti...

[...]

— Ou de outra mais rica! — disse ela, retraindo-se para fugir ao beijo do marido, e afastando-o com a ponta dos dedos.

A voz da moça tomara o timbre cristalino, eco da rispidez e aspereza do sentimento que lhe sublevava o seio, e que parecia ringir-lhe nos lábios como aço.

— Aurélia! Que significa isto?

— Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia consumada. Podemos ter este orgulho, que os melhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor. Entremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido.

— Vendido! — exclamou Seixas ferido dentro d’alma.

— Vendido, sim: não tem outro nome. Sou rica, muito rica; sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o triplo, toda a minha riqueza por este momento.

ALENCAR, J. Senhora. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 2003.

Ao tematizar o casamento, esse fragmento reproduz uma concepção de literatura romântica evidenciada na

  1. A

    defesa da igualdade de gêneros.

  2. B

    importância atribuída à castidade.

  3. C

    indignação com as injustiças sociais.

  4. D

    interferência da riqueza sobre o amor.

  5. E

    valorização das relações interpessoais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: D

No fragmento de Senhora (Romantismo), Aurélia diz que comprou o marido, "vendido" por dinheiro. O casamento virou negócio: ela é rica e ele aceitou casar por interesse.

O romance romântico urbano de Alencar critica essa troca, mostrando como a riqueza interfere no amor verdadeiro. Alternativa D.

  • B: a castidade é citada só pela fala de Seixas, não é o tema.
  • C: a crítica é ao casamento por interesse, não a injustiças sociais em geral.
  • E: ao contrário, as relações aqui estão corrompidas.

Dica: em Alencar, os romances de perfil urbano (Senhora, Lucíola) criticam o dinheiro e o casamento por interesse.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 12difícil

Ainda daquela vez pude constatar a bizarrice dos costumes que constituíam as leis mais ou menos constantes do seu mundo: ao me aproximar, verifiquei que o Sr. Timóteo, gordo e suado, trajava um vestido de franjas e lantejoulas que pertencera a sua mãe. O corpete descia-lhe excessivamente justo na cintura, e aqui e ali rebentava através da costura um pouco da carne aprisionada, esgarçando a fazenda e tornando o prazer de vestir-se daquele modo uma autêntica espécie de suplício. Movia-se ele com lentidão, meneando todas as suas franjas e abanando-se vigorosamente com um desses leques de madeira de sândalo, o que o envolvia numa enjoativa onda de perfume. Não sei direito o que colocara sobre a cabeça, assemelhava-se mais a um turbante ou a um chapéu sem abas de onde saíam vigorosas mechas de cabelos alourados. Como era costume seu também, trazia o rosto pintado — e para isto, bem como para suas vestimentas, apoderara-se de todo o guarda-roupa deixado por sua mãe, também em sua época famosa pela extravagância com que se vestia — o que sem dúvida fazia sobressair-lhe o nariz enorme, tão característico da família Meneses.

CARDOSO, L. Crônica da casa assassinada. São Paulo: Círculo do Livro, s.d.

Pela voz de uma empregada da casa, a descrição de um dos membros da família exemplifica a renovação da ficção urbana nos anos 1950, aqui observada na

  1. A

    opção por termos e expressões de sentido ambíguo.

  2. B

    crítica social inspirada pelo convívio com os patrões.

  3. C

    descrição impressionista do fetiche do personagem.

  4. D

    presença de um foco narrativo de caráter impreciso.

  5. E

    ambiência de mistério das relações entre familiares.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: C

A narradora descreve com muitos detalhes visuais (vestido de franjas e lantejoulas, perfume, rosto pintado, nariz enorme) o fetiche do Sr. Timóteo. É uma descrição impressionista, ligada à sensação e ao detalhe sensorial (C), que marca a ficção urbana dos anos 1950.

A A, B, D e E se referem a ambiguidade, crítica social, foco impreciso e mistério, que não são o que o trecho destaca.

Dica: descrição impressionista = valoriza impressões e detalhes sensoriais.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 21média

A escrava

— Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado.

REIS, M. F. Úrsula e outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.

Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século XIX ao

  1. A

    revelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.

  2. B

    apontar a hipocrisia do discurso conservador na defesa da escravidão.

  3. C

    sugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso material.

  4. D

    relacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões raciais.

  5. E

    ironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração do trabalho.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B

No conto, a senhora abolicionista fala com indignação, citando religião e moral, contra a escravidão. Mas isso é dito em um discurso cheio de retórica, e o próprio título "A escrava" lembra que a escravidão existe. O texto mostra o discurso dos conservadores sobre a escravidão e sua contradição.

O conto aponta a hipocrisia do discurso conservador: B.

A A diz que impõe religião aos escravizados, e o texto cita a religião como argumento moral. A C e a E falam de violência e de ironia com os proprietários, sem apoio. A D mostra só um dos argumentos citados.

Dica: considere quem fala e o que o texto faz com essa fala.

Questão 5 · ENEM 2019 · Questão 13média

Imagem da questão

HELOÍSA: Faz versos?

PINOTE: Sendo preciso... Quadrinhas... Acrósticos... Sonetos... Reclames.

HELOÍSA: Futuristas?

PINOTE: Não senhora! Eu já fui futurista. Cheguei a acreditar na independência... Mas foi uma tragédia! Começaram a me tratar de maluco. A me olhar de esguelha. A não me receber mais. As crianças choravam em casa. Tenho três filhos. No jornal também não pagavam, devido à crise. Precisei viver de bicos. Ah! Reneguei tudo. Arranjei aquele instrumento (Mostra a faca) e fiquei passadista.

ANDRADE, O. O rei da vela. São Paulo: Globo, 2003.

O fragmento da peça teatral de Oswald de Andrade ironiza a reação da sociedade brasileira dos anos 1930 diante de determinada vanguarda europeia. Nessa visão, atribui-se ao público leitor uma postura

  1. A

    preconceituosa, ao evitar formas poéticas simplificadas.

  2. B

    conservadora, ao optar por modelos consagrados.

  3. C

    preciosista, ao preferir modelos literários eruditos.

  4. D

    nacionalista, ao negar modelos estrangeiros.

  5. E

    eclética, ao aceitar diversos estilos poéticos.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B

Pinote conta que foi futurista e acreditou na independência, mas foi tratado como maluco, não era mais recebido e ficou sem pagamento. Então "reneguei tudo" e virou "passadista" (que segue o passado). A ironia de Oswald de Andrade mostra o público leitor dos anos 1930 como conservador, que opta por modelos consagrados, alternativa B.

A letra A está errada, pois o preconceito é com a vanguarda e não com formas simples. A letra C (preciosista, eruditos) não aparece. A letra D (nacionalista) não combina com um público que rejeita o novo. A letra E é contrariada pelo fato de que o público rejeitou o futurismo.

Dica: vanguarda = movimentos que rompem com a tradição. Reação contrária à vanguarda é conservadorismo.

Treine Escolas literárias com 20 questões do ENEM

Monte um treino só com este assunto, veja a resolução depois de cada resposta e acompanhe seus acertos. Grátis: basta criar uma conta com o seu e-mail.

Treinar Escolas literárias

Outros assuntos de Literatura