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Linguagens · Artes

Questões de Artes visuais no ENEM

43 questões oficiais do ENEM sobre Artes visuais, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 9 fáceis, 32 médias, 2 difíceis.

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5 questões de Artes visuais resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2025 · Questão 15média

O retrato como gênero da pintura ocidental ficou vinculado às elites, tornando invisíveis as populações que não faziam parte do círculo dominante. Num país de tradição escravocrata e colonizado por europeus como o Brasil, pouquíssimas pessoas negras e indígenas foram retratadas em pintura, e menos ainda identificadas com seus nomes nos retratos. Daí a importância, para a história da arte e para a história brasileira, dos retratos de Dalton Paula.

Imagem da questão

Disponível em: www.masp.org.br. Acesso em: 5 maio 2024 (adaptado).

Ao dar protagonismo a Zeferina e a João de Deus Nascimento, o artista Dalton Paula evidencia que a(s)

  1. A

    arte pode promover formas de afirmação de identidade social.

  2. B

    comunidades periféricas passam a adquirir o gênero retrato.

  3. C

    personagens retratadas simbolizam a sociedade brasileira.

  4. D

    pintura funciona como instrumento de ascensão social.

  5. E

    imagens tradicionais preservam memórias afetivas.

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Gabarito: A

O texto diz que o retrato era um gênero das elites e que negros e indígenas quase nunca foram retratados com nome. Dalton Paula pinta pessoas negras com dignidade, nome e roupa digna, dando visibilidade a elas. Isso mostra que a arte pode promover formas de afirmação da identidade social. Alternativa A.

  • B: não se fala de periferias "adquirindo" o gênero.
  • C: os dois retratos não representam toda a sociedade.
  • D: a pintura não é apresentada como ascensão social.
  • E: o tema não é memória afetiva.

Dica: relacione o texto de apoio com a imagem para achar a intenção do artista.

Questão 2 · ENEM 2024 · Questão 16média

Uma definição possível para o conceito de arte afro-brasileira pode ser: produção plástica que é feita por negros, mestiços ou brancos a partir de suas experiências sociais com a cultura negra nacional. Exemplos clássicos dessa abordagem são Carybé (1911-1997), Mestre Didi (1917-2013) e Djanira da Motta e Silva (1914-1979), cujas obras emergem e ganham forma em razão do ambiente social no qual habitaram e viveram. Se Didi era um célebre representante da cultura religiosa nagô baiana e brasileira, iniciado desde o ventre no candomblé, Carybé era argentino e, naturalizado brasileiro, envolveu-se de tal modo com essa religião que alguns dos orixás dos quais conhecemos a imagem visual são produções suas.

Disponível em: www.premiopipa.com. Acesso em: 13 nov. 2021 (adaptado).

Sob a perspectiva da multiculturalidade e de acordo com o texto, a produção artística afro-brasileira caracteriza-se pelo(a)

  1. A

    estranhamento no modo de apropriação da cultura religiosa de matriz africana.

  2. B

    distanciamento entre as raízes de matriz africana e a estética de outras culturas.

  3. C

    visão uniformizadora das religiões de matriz africana expressada nas diferentes produções.

  4. D

    relação complexa entre as vivências pessoais dos artistas e os referenciais estéticos de matriz africana.

  5. E

    padronização da forma de produção e da temática da matriz africana presente nas obras dos artistas citados.

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Gabarito: D

O texto define arte afro-brasileira como a produção feita por negros, mestiços ou brancos a partir de suas experiências com a cultura negra. Didi era do candomblé desde o ventre; Carybé era argentino naturalizado e se envolveu com a religião a ponto de criar imagens dos orixás.

Cada artista se liga de forma diferente à matriz africana, com vivências pessoais próprias. Alternativa D.

A e B falam de estranhamento e distanciamento, o oposto do que ocorre. C e E dizem que há uniformidade e padronização, mas o texto destaca a diversidade de origens.

Dica: multiculturalidade é a convivência e a troca entre culturas; desconfie de alternativas que falam em padronização.

Questão 3 · ENEM 2023 · Questão 33média

TEXTO I

Imagem da questão

SEGALL, L. Eternos caminhantes. Óleo sobre tela, 138 x 184 cm. Museu Lasar Segall, IbramMinc, São Paulo, 1919.

TEXTO II

Em 1933, a obra Eternos caminhantes ingressou em uma das primeiras edições das exposições de Arte Degenerada, promovida por membros do partido nazista alemão. Nos anos seguintes, ela voltaria a ser exibida na mostra denominada Exposição da Vergonha, promovida por pequenos grupos abastados. Em 1937, essa obra foi confiscada pelo Ministério da Propaganda daquele país, na grande ação nacional-socialista contra a “Arte Degenerada”.

SCHWARTZ, J. Perseguição à Arte Moderna em tempos de guerra. São Paulo: Museu Lasar Segall, 2018 (adaptado).

Quase cinquenta obras de Lasar Segall foram confiscadas

pelo regime totalitário alemão na primeira metade do

século XX, entre elas a obra Eternos caminhantes,

considerada degenerada por

  1. A

    representar uma estética tida como inconveniente para o ideário político vigente.

  2. B

    manifestar um posicionamento político-cultural concebido por grupos de oposição.

  3. C

    expressar a cultura artística por meio da representação parcial do corpo humano.

  4. D

    apresentar uma composição que antecipa o imaginário artístico germânico.

  5. E

    estimular discussões sobre o papel da arte na construção coletiva de cultura.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

O texto II explica que a obra foi chamada de "arte degenerada" pelo regime nazista e confiscada. A imagem mostra figuras de rostos alongados e deformados, em estilo expressionista, bem distante do realismo clássico que o nazismo valorizava.

Assim, a obra foi considerada degenerada porque representava uma estética inconveniente para o ideário político vigente, que queria uma arte que exaltasse seus valores. Alternativa A.

B está errada porque a obra não era de oposição organizada. C fala de corpo parcial, o que não é o motivo da perseguição. D é falsa, pois a obra não antecipa o imaginário germânico. E trata de algo que o regime justamente queria impedir.

Dica: regimes totalitários perseguem a arte que foge do padrão oficial; relacione estilo artístico e contexto político.

Questão 4 · ENEM 2022 · Questão 38média

TEXTO I

Imagem da questão

EL GRECO. Laocoonte. Óleo sobre tela, 1,37cm x 1,72cm. National Gallery of Art, Washington, Estados Unidos, circa 1610-1614. Disponível em: https://images.nga.gov. Acesso em: 28 jun. 2019 (adaptado).

TEXTO II

Essa impressionante obra apresenta o sacerdote

Laocoonte sendo punido pelos deuses por tentar alertar

os troianos da ameaça do Cavalo de Troia, que escondia

um grupo de soldados gregos. Enviadas pelos deuses,

serpentes marinhas são vistas matando Laocoonte e

seus dois filhos como forma de punição.

KAY, A. In: FARTHING, S. (Org.). Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).

Produzida no início do século XVII, a obra maneirista

distingue-se pela

  1. A

    representação da nudez masculina.

  2. B

    distorção ao representar a figura humana.

  3. C

    evocação de um fato da cultura clássica grega.

  4. D

    presença do tema da morte como punição da família.

  5. E

    utilização da perspectiva para integrar os diferentes planos.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B

Na imagem, os corpos de El Greco são alongados, retorcidos e dramáticos, com cores e luz irreais. Essa distorção das figuras humanas é marca do Maneirismo, que rompe com o equilíbrio e as proporções do Renascimento (B).

Nudez (A) e tema clássico (C) também aparecem, mas não distinguem o Maneirismo, pois já eram comuns no Renascimento. A E está errada porque o Maneirismo não se prende à perspectiva racional renascentista.

Dica: Maneirismo = alongamento, deformação e tensão, em oposição ao equilíbrio renascentista.

Questão 5 · ENEM 2020 · Questão 25média

Imagem da questão

KOSUTH, J. One and Three Chairs. Museu Reina Sofia, Espanha, 1965. Disponível em: www.museoreinasofia.es. Acesso em: 4 jun. 2018 (adaptado).

A obra de Joseph Kosuth data de 1965 e se constitui por uma fotografia de cadeira, uma cadeira exposta e um quadro com o verbete “Cadeira”. Trata-se de um exemplo de arte conceitual que revela o paradoxo entre verdade e imitação, já que a arte

  1. A

    não é a realidade, mas uma representação dela.

  2. B

    fundamenta-se na repetição, construindo variações.

  3. C

    não se define, pois depende da interpretação do fruidor.

  4. D

    resiste ao tempo, beneficiada por múltiplas formas de registro.

  5. E

    redesenha a verdade, aproximando-se das definições lexicais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

Kosuth mostra uma cadeira real, sua foto e sua definição. Cada uma representa a cadeira de um modo, mas nenhuma é 'a' cadeira ideal. A arte não é a realidade, mas uma representação dela.

Alternativa A.

B, C, D e E tratam de repetição, interpretação, tempo e definições lexicais, e não do paradoxo verdade e imitação.

Dica: arte conceitual discute ideias sobre a própria arte.

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