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Linguagens · Artes

Questões de Arte contemporânea e patrimônio cultural no ENEM

18 questões oficiais do ENEM sobre Arte contemporânea e patrimônio cultural, de 2009 a 2025, todas com gabarito e resolução comentada. Dificuldade estimada: 1 fácil, 16 médias, 1 difícil.

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5 questões de Arte contemporânea e patrimônio cultural resolvidas

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Questão 1 · ENEM 2024 · Questão 21média

TEXTO I

A linguagem visual dos adornos transmite informações sobre prestígio e transgressão, direito e dever, pois só é permitido ao indivíduo o uso de adornos de sua linhagem. Quando diretamente vinculadas aos conceitos cosmológicos, as artes indígenas convertem-se antes em prismas que refletem as concepções acerca da composição do universo e dos componentes que o povoam.

AGUILAR, N. (Org.); DIAS, J. A. B. F.; VELTHEN, L. H. V. Mostra do redescobrimento: artes indígenas. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo-Associação Brasil 500 anos, 2000 (adaptado).

TEXTO II

Imagem da questão

Diadema (etnia Kayapó). Estados do Mato Grosso e Pará. Museu de Arte Indígena, s.d.

Disponível em: www.maimuseu.com.br. Acesso em: 11 jul. 2024.

Pela leitura desses textos, infere-se que a compreensão da arte plumária indígena requer a consideração da

  1. A

    indistinção hierárquica entre os membros de um mesmo grupo social.

  2. B

    prevalência dos elementos do mundo natural sobre as relações humanas.

  3. C

    reconfiguração constante das representações coletivas acerca do universo.

  4. D

    indeterminação entre as noções de identidade individual e de identidade cultural.

  5. E

    indissociabilidade entre objetos ritualísticos e os papéis dos indivíduos na comunidade.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: E

O texto I diz que os adornos indicam prestígio, direitos e deveres, e que só o indivíduo da linhagem pode usá-los, além de refletirem a visão do universo. O texto II mostra um diadema de penas Kayapó.

Isso mostra que o objeto ritual (adorno) e o papel social do indivíduo na comunidade estão ligados e não se separam. Alternativa E.

A é errada, porque os adornos marcam hierarquia. B e D não têm base. C fala de reconfiguração constante, mas o texto fala de concepções estáveis do cosmos.

Dica: em questões de arte indígena, lembre que o objeto tem função social, religiosa e simbólica, e não só estética.

Questão 2 · ENEM 2023 · Questão 36média

O Marabaixo é uma expressão artístico-cultural formada nas tradições e na identificação cultural entre as comunidades negras do Amapá. O nome remonta às mortes de escravizados em navios negreiros que eram jogados na água. Em sua homenagem, hinos de lamento eram cantados mar abaixo, mar acima. Posteriormente, o Marabaixo se integrou à vivência das comunidades negras em um ciclo de danças, cantorias com tambores e festas religiosas, recebendo, em 2018, o título de Patrimônio Cultural do Brasil.

Disponível em: http://portal.iphan.gov.br. Acesso em: 15 nov. 2021 (adaptado).

A manifestação do Marabaixo se constituiu em expressão de arte e cultura, exercendo função de

  1. A

    ressignificar episódios dramáticos em novas práticas culturais.

  2. B

    adaptar coreografias como imitação dos movimentos do mar.

  3. C

    lembrar dos mortos no passado escravista como forma de lamento.

  4. D

    perpetuar uma narrativa de apagamento dos fatos históricos traumáticos.

  5. E

    ritualizar a passagem de atos fúnebres nas produções coletivas com espírito festivo.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

O texto conta que o Marabaixo nasceu de hinos de lamento pelos escravizados mortos e depois se tornou dança, cantoria, festa e patrimônio cultural. Um episódio doloroso foi transformado em uma prática cultural viva.

Isso é ressignificar episódios dramáticos em novas práticas culturais. Alternativa A.

C diz que o Marabaixo apenas lembra os mortos como lamento, mas ele foi além disso. D está errada, pois a manifestação preserva a memória, não apaga. B é falsa (não imita o mar). E exagera ao falar de festa em atos fúnebres.

Dica: patrimônio imaterial costuma guardar memória e se renovar; procure verbos como "transformar" e "ressignificar".

Questão 3 · ENEM 2022 · Questão 44média

TEXTO I

Imagem da questão

SILVEIRA, R. In absentia, 1983. Instalação, 17ª Bienal de São Paulo. Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado).

TEXTO II

O termo ready-made foi criado por Marcel Duchamp

(1887-1968) para designar um tipo de objeto, por ele

inventado, que consiste em um ou mais artigos de uso

cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem

critérios estéticos e expostos como obras de arte em

espaços especializados (museus e galerias). Seu primeiro

ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada

sobre um banquinho (Roda de bicicleta). Ao transformar

qualquer objeto em obra de arte, o artista realiza uma

crítica radical ao sistema da arte.

Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado).

A instalação In absentia propõe um diálogo com o

ready-made Roda de bicicleta, demonstrando que

  1. A

    as formas de criticar obras do passado se repetem.

  2. B

    a recorrência de temas marca a arte do final do século XX.

  3. C

    as criações desmistificam os valores estéticos estabelecidos.

  4. D

    o distanciamento temporal permite a transformação dos referenciais estéticos.

  5. E

    o objeto ausente sugere a degradação da forma superando o modelo artístico.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: C

O texto II diz que o ready-made de Duchamp transforma qualquer objeto em arte, criticando o sistema da arte. A instalação In absentia dialoga com isso, usando a sombra de uma roda de bicicleta. Assim, ambas desmistificam os valores estéticos estabelecidos (C).

A A e a D falam de repetição e distanciamento temporal, que não são a ideia central. A B e a E também fogem do foco do texto: a crítica ao que é considerado arte.

Dica: Duchamp e o ready-made: o objeto comum vira arte e questiona o que é arte.

Questão 4 · ENEM 2020 · Questão 14média

TEXTO I

Imagem da questão

HIRST, D. Mother and Child. Bezerro dividido em duas partes: 1029 x 1689 x 625mm, 1993 (detalhe). Vidro, aço pintado, silicone, acrílico, monofilamento, aço inoxidável, bezerro e solução de formaldeído.

TEXTO II

O grupo Jovens Artistas Britânicos (YABs), que surgiu no final da década de 1980, possui obras diversificadas que incluem fotografias, instalações, pinturas e carcaças desmembradas. O trabalho desses artistas chamou a atenção no final do período da recessão, por utilizar materiais incomuns, como esterco de elefantes, sangue e legumes, o que expressava os detritos da vida e uma atmosfera de niilismo, temperada por um humor mordaz.

Disponível em: http://damienhirst.com. Acesso em: 15 jul. 2015. FARTHING, S. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).

A provocação desse grupo gera um debate em torno da obra de arte pelo(a)

  1. A

    recusa a crenças, convicções, valores morais, estéticos e políticos na história moderna.

  2. B

    frutífero arsenal de materiais e formas que se relacionam com os objetos construídos.

  3. C

    economia e problemas financeiros gerados pela recessão que tiveram grande impacto no mercado.

  4. D

    influência desse grupo junto aos estilos pós-modernos que surgiram nos anos 1990.

  5. E

    interesse em produtos indesejáveis que revela uma consciência sustentável no mercado.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B

O Texto II diz que os Jovens Artistas Britânicos usavam materiais incomuns (esterco de elefante, sangue, legumes, carcaças), como na obra de Hirst, um bezerro dividido em tanque de formaldeído. Isso amplia o que pode ser material artístico e provoca o debate sobre o que é arte.

A provocação gera esse debate pelo uso de um grande conjunto de materiais e formas que se relacionam com objetos construídos (instalações), conforme a alternativa B.

  • A: o grupo não recusa todas as crenças e valores.
  • C: a recessão é o contexto, não o centro do debate.
  • D: fala de influência posterior, que não é o foco.
  • E: o texto não fala de consciência sustentável.

Resposta: B.

Dica: na arte contemporânea, o uso de materiais não convencionais questiona os limites do que é obra de arte.

Questão 5 · ENEM 2018 · Questão 45média

TEXTO I

Imagem da questão

BRACCO, A; LOSCHI, M. Quando rotas se tornam arte. Retratos: a revista do IBGE. Rio de Janeiro, n. 3, set. 2017 (adaptado).

TEXTO II

Stephen Lund, artista canadense, morador em Victoria, capital da Colúmbia Britânica (Canadá), transformou-se em fenômeno mundial produzindo obras de arte virtuais pedalando sua bike. Seguindo rotas traçadas com o auxílio de um dispositivo de GPS, ele calcula ter percorrido mais de 10 mil quilômetros.

Disponível em: www.booooooom.com. Acesso em: 9 dez. 2017 (adaptado).

Os textos destacam a inovação artística proposta por Stephen Lund a partir do(a)

  1. A

    deslocamento das tecnologias de suas funções habituais.

  2. B

    perspectiva de funcionamento do dispositivo de GPS.

  3. C

    ato de guiar sua bicicleta pelas ruas da cidade.

  4. D

    análise dos problemas de mobilidade urbana.

  5. E

    foco na promoção cultural da sua cidade.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: A

Stephen Lund usa o GPS, que serve para orientar trajetos, para desenhar figuras (como o Cristo Redentor) com as rotas que percorre de bicicleta. Ele usa uma tecnologia em uma função diferente da habitual. A inovação artística está, então, no deslocamento das tecnologias de suas funções habituais, alternativa A.

A letra B fala em funcionamento do GPS, mas ele não muda o funcionamento do aparelho. A letra C (pedalar) é o meio, não a inovação. A letra D (mobilidade urbana) e a letra E (promoção da cidade) não são o foco dos textos.

Dica: na arte contemporânea, é comum usar objetos e tecnologias cotidianas de formas inesperadas.

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